terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sociedades Escravistas na Antiguidade

DOCUMENTOS
1.  Há, na espécie humana, indivíduos tão inferiores aos outros como o corpo em relação à alma ou a animal em relação ao homem; são seres humanos dos quais o melhor que se pode obter é o emprego da força corporal. Esses indivíduos estão destinados pela própria natureza à escravidão, porque para eles não há nada melhor do que obedecer. [...] [ARISTÓTELES. Política.]
    [...] Trata-se afinal de uma espécie de homens de segunda categoria, dos quais podemos dispor por causa de nossa liberdade.  [FLORO. História Romana.]

2. Existem dois tipos de instrumentos: uns inanimados, outros animados. Assim é que, para a navegação, o leme é o instrumento inanimado e o piloto, o instrumento animado. Em todas as artes, o trabalhador é uma espécie de instrumento.
    Um bem é um instrumento da existência; as propriedades são uma reunião de instrumentos e o escravo, uma propriedade instrumental animada, como um agente preposto a todos os outros meios. Se cada instrumento pudesse executar por si mesmo a vontade ou a intenção do agente, [...] se a lançadeira tecesse sozinha a tela, se o arco tirasse sozinho de uma cítara o som desejado, os arquitetos não mais precisariam de operários, nem os mestres de escravos.
    Chama-se "instrumento" o que realiza o efeito, e "propriedade doméstica" o que ele produz. O tear, por exemplo, e o torno, além do exercício que nos proporciona seu uso, fornecem-nos ainda pano e camas; ao passo que o pano e a cama que eles nos produzem se imitam ao nosso simples uso.  [ARISTÓTELES. Política.]

 3.  Há que se negar a qualidade de cidadãos a todos aqueles de que a cidade tem necessidade para viver [...]. A cidade perfeita não faz do operário um cidadão [...].  Não é possível praticar a política levando a vida de um artesão, de um assalariado [...].  Em Tebas, uma lei excluía das funções públicas todo comerciante que não houvesse deixado de trabalhar dez anos antes, pelo menos. [...] Chamamos de ofícios operários a todos aqueles que alteram as disposições do corpo, assim como aos trabalhos que são exercidos para ganhar dinheiro, já que privam o espírito de todo o ócio e toda elevação. [...] [ARISTÓTELES. Política.]

4.  Os ofícios que chamamos artesanais são muito malvistos. E é compreensível que os tenhamos em má conta na cidade, pois os que deles se ocupam e a eles se dedicam tornam-se fisicamente arruinados, por serem obrigados a viver sentados e à sombra, à vezes tendo que passar todo o dia ao lado do fogo. Os corpos ficando assim enfraquecidos, as almas, por sua vez, tornam-se menos robustas. Além do mais, os ofícios artesanais não permitem a quem os pratica nenhum lazer [ócio]; por que se ocupem dos amigos e da cidade; e os fazem passar por maus amigos e medíocres defensores da pátria. É por isso que em certas cidades, notadamente a que tem reputação militar [Esparta]; é proibida aos cidadãos a prática dos ofícios dos artesãos. (...) [XENOFONTE. O Econômico.]

 5. Os prisioneiros das pedreiras recebem um tratamento impiedoso (...). Fechados em grande número em um vão estreito, ao ar livre, sofriam o sol e o calor no verão; depois era o contrário, com noites outonais e frias, que pela rapidez da mudança provocavam doenças. Ademais, como faziam tudo no mesmo lugar por causa do aperto, e como se amontoavam ali mesmo os cadáveres daqueles que faleciam (...) havia um fedor insuportável. [TUCÍDIDES.  História das Guerras do Peloponeso.]

 6. Mostrei à minha jovem mulher o aposento das escravas, que estava separado daquele dos escravos por uma porta fechada a chave para evitar que levassem algo indevidamente e que os escravos não tivessem filhos sem nossa permissão. Os bons escravos, realmente, quando têm filhos se mostram mais leais. [XENOFONTE. O Econômico.]

7. Como é possível aprender todos os ofícios e, de acordo com a decisão das cidades, consideramos desprezíveis os ofícios mecânicos que degradam o corpo e inutilizam a alma, a agricultura é a ocupação mais fácil de aprender e a de execução mais agradável. É uma atividade própria ao desenvolvimento da beleza e da força do corpo, e dá às almas inteira liberdade de se ocuparem dos amigos e da coisa pública. Parece-nos ainda que ela conduz à bravura, uma vez que os alimentos crescem fora da proteção dos muros. É esse gênero de vida que os Estados mais apreciam, pois estamos convencidos de que ele produz melhores cidadãos, os mais devotados à causa pública. [XENOFONTE. O Econômico.]

 8. Os coríntios, partindo de volta, recorreram ao estratagema de navegar em direção a Anactórion, situada na embocadura do golfo Ambrácio (lugar ocupado pelos corcireus e por eles mesmos em comum), e após deixarem lá alguns colonos seguiram viagem. De seus prisioneiros corcireus venderam oitocentos que eram escravos, mas mantiveram em custódia e trataram com muita consideração duzentos e cinquenta, com o objetivo de, ao voltarem a Córcira, poder ganhá-los para o seu lado; aconteceu que, em sua maioria, eles se incluíam entre os homens mais influentes da cidade. [TUCÍDIDES. História das Guerras do Peloponeso.]

 9. Os ricos, que ocupavam a maior parte da terra, começaram a incorporar às suas próprias possessões as parcelas vizinhas dos pobres [século II a.C.], às vezes comprando-as, às vezes arrebatando-as à força. De modo que, uma vez em suas mãos, no lugar de pequenas propriedades se concentram grandes áreas [latifúndios]. Para o trabalho dos campos e o cuidado com o pasto, começaram a comprar escravos (...).  Desse modo, as pessoas poderosas se enriqueceram desmesuradamente e o país se povoou de escravos. Os pobres ficaram sem trabalho, pois a terra pertencia aos ricos, que não trabalhavam com ajuda de homens livres, mas com os braços de seus escravos. [APIANO, As Guerras Civis]

 10. No ano 326 a.C. (...) se obrigou os cônsules a proporem ao povo que ninguém, exceto os criminosos provados, fosse encarcerado e acorrentado e que os credores cobrassem as dívidas dos bens e não do corpo dos devedores. Desse modo, todos aqueles que haviam sido reduzidos à escravidão por dívidas foram libertados e se proibiu seguir esse costume daí em diante. [TITO LÍVIO]

 11. Naqueles tempos [Tibério] estava encarregado de duas missões de grande importância: o abastecimento de Roma (...) e a inspeção dos criadores de escravos que havia na Itália, já que se acusavam os donos desses estabelecimentos de reterem violentamente os homens livres capturados por bandoleiros, além de ocultarem aqueles que queriam escapar do serviço militar. [SUETÔNIO. Os Doze Césares, Tibério.]
 [Augusto] corrigiu grande número de abusos (...).  A maioria dos bandoleiros levava armas em público com o pretexto de poder se defender, mas com elas, eles atacavam os viajantes de condição livre ou escrava, e os vendiam sem distinção aos traficantes de escravos. [SUETÔNIO. Os Doze Césares, Augusto.]

 12. Ouçam como frequentemente, entre nós, as mais altas personalidades do Estado acusam a terra de ser estéril, ou clima de ser inconstante e fatal para as colheitas. Há pessoas que costumam dizer que a terra, em sua opinião, está cansada e esgotada por culpa das colheitas do ano passado, e que por isso não está em condições de alimentar os homens com sua antiga generosidade (...). Eu estou convencido de que nada disso é verdade. Creio que não se trata de ira celeste, nem do clima, mas sim de nossa culpa. Abandonamos a agricultura (...) aos escravos mais ineptos, enquanto nossos antepassados empregavam os melhores. [COLUMELA, De Agricultura]
 13. (...) Catão [sabendo] que os escravos cometem a maior parte de suas maldades para ir com as mulheres, tinha disposto que por certo dinheiro se unissem às escravas (...) e buscava sempre a forma de provocar medos e receios entre seus escravos, já que suspeitava e tinha medo quando os via todos reunidos e unidos.
   Possuía [Catão] muitos escravos cativos, que havia comprado, regularmente, quando ainda eram pequenos (...) como cachorrinhos e outros animais jovens (...).  Catão dava dinheiro aos escravos que lhe pediam emprestado, e eles compravam meninos que exercitavam e amestravam (...).  O vendendo-os depois. Catão mesmo participava do negócio, ficando com alguns. [PLUTARCO, Vidas Paralelas]

 14. Nas cidades da Ásia (...) os infortúnios do passado os haviam privado de justiça, e aquela província estava em mãos de usurários, recolhedores de impostos e escravistas (...) que vendiam as pessoas, em particular jovens de boa figura e donzelas virgens, (...) e todos eram entregues como escravos pelos credores. [PLUTARCO, Vidas Paralelas]

 15. Surema não era um plebeu, mas um homem de grande riqueza (...).  Andava sempre sozinho, levando em sua bagagem mil camelos, e em duzentos carros conduzia seus concubinos, acompanhando-os mil soldados armados a cavalo. Entre criados e escravos, chegava aos dez mil. [...]  A rebelião dos gladiadores e a devastação da Itália, que muitos chamaram Guerra de Espártaco, teve sua origem no seguinte motivo: um tal Téntulo Baciato tinha em Cápua gladiadores (...) muitos eram gauleses e trácios (...) e por uma injustiça de seu dono, foram presos. Uns duzentos confabularam para fugir (...) roubaram armas e elegeram líderes, um deles chamado Espártaco (...).  Uniram-se a eles vaqueiros, pastores (...) e escravos da região, gente de mãos e pés ligeiros. [PLUTARCO, Vidas Paralelas (Marco Craso)]

 16. Os escravos, por uma compensação, cedem a qualquer um o gado do patrão para fazê-lo trabalhar; não se preocupam com os bois de arado nem com o gado de curral; trabalham muito mal a terra; durante a semeadura, gastam muito mais semente do que o necessário (...), uma grande parte se perde por roubo ou descuido. (...) Em resumo, (...) os escravos fraudam; por isto, (...) quando o proprietário não pode estar presente em sua fazenda é melhor que a arrende. [COLUMELA, De Agricultura]

 17. O proprietário de um terreno deve preocupar-se (...) em particular, com as pessoas que vivem em sua propriedade e com as coisas. Há dois tipos de pessoas que trabalham: os colonos e os escravos, estes acorrentados ou não. Deve ser bondoso para com os colonos, deve tratar de suas necessidades, deve ser mais exigente no trabalho que no pagamento que lhes devem. [COLUMELA. De Agricultura]

 18. Lucio Volusio (...) homem extraordinariamente rico: Recordo agora que afirmava que a propriedade que encontrava em melhores condições era aquela que tivera colonos estabelecidos durante muito tempo (...) e não aquela em que se trabalhara com escravos. [...]
[...] Àquelas escravas que se distinguem por ter muitos filhos, e com quem convém, portanto, ter uma certa consideração, são concedidas dispensas do trabalho e, às vezes, também a liberdade. Para ser exato: se dispensa do trabalho àquelas que tem filhos e se liberta àquelas que tem mais de três. [COLUMELA. De Agricultura]


 19. Dos infelizes romanos vencidos nas guerras de Aníbal, muitos haviam sido vencidos e se achavam em escravidão na Grécia, onde havia uns mil e duzentos (...).   Os gregos os resgataram à razão de cinco minas por cada um, e os entregaram livres a Tito quando estavam a ponto de jogar-se ao mar (...). Aqueles escravos resgatados, como é costume entre escravos quando se lhes dá a liberdade, cortaram os cabelos e colocaram gorros.  [PLUTARCO. Vidas Paralelas (Tito Quincio)]

20. Direi agora com que instrumentos se trabalha a terra (...).  Dividem-se em três categorias: instrumentos falantes, instrumentos semifalantes e instrumentos mudos. Os primeiros são os escravos, os segundos são os bois e os últimos são instrumentos inanimados. [VARRÃO. De Agricultura]

21. Os escravos se dedicam muito mais ao trabalho se os tratamos bem, ou se melhoramos sua alimentação, ou lhes damos mais vestimentas; também se deve dar-lhes permissão para que, de vez em quando, criem algum animal próprio, ou coisas ao seu costume; assim se recobra a vontade daqueles que há que castigar. [VARRÃO. De Agricultura]

22. É necessário que os escravos tenham alguma coisa, assim como que se unam com escravas e que tenham filhos, já que assim estarão mais vinculados ao local. [VARRÃO. De Agricultura]
As habitações, para os escravos que podem se mover em liberdade, devem estar orientadas em direção ao sol; para os acorrentados, se existem muitos, convém ter um cárcere de escravos [ergástula] nos sótãos dos edifícios que responda o máximo possível às exigências sanitárias, com muitas janelas pequenas para a luz, situadas a uma altura tal que não possam alcançá-las com as mãos. [COLUMELA. De Agricultura]

23. Nas fazendas isoladas, aqueles que o proprietário não pode visitar sempre, é preferível encarregar qualquer trabalho a um colono livre do que a um administrador escravo; esta regra se refere particularmente aos campos onde se cultivam cereais. [COLUMELA, De Agricultura]

24. O prefeito de Roma, Pedanius Secundus,  foi morto por um dos seus escravos... De acordo com um uso antigo, tratou-se de conduzir ao suplício todos os escravos que habi­tavam sob o mesmo teto que o assassino (eram 400!). A piedade do povo, porém, movida a favor de tantos inocentes, produziu ajunta­mentos, que foram até à sedição. [...] No próprio Senado, um partido rejeitava, com calor, essa excessiva severidade, enquanto a maioria não aceitava nenhuma mudança (nos usos). [...] Prevaleceu o partido que queria o suplício. A multidão, munida de pedras, impedia a execução. Mas o Imperador, por um edito, admoestou a multidão e esta­beleceu um cordão de tropas por todo o caminho por onde os condenados foram conduzidos à execução. [TÁCITO. Anais.]

25. Os escravos devem estar submetidos ao poder de seus amos. Esta espécie de domínio já é consagrada no direito dos povos; pois podemos observar que, de um modo geral, em todos os povos, o amo tem sobre os escravos poder de vida e morte, é tudo aquilo que se adquire por intermédio do escravo pertence ao amo. Mas, hoje em dia não é permitido nem aos cidadãos romanos, nem a nenhum dos que se acham sob o império do povo romano, castigar excessivamente e sem motivo os escravos. Pois, em virtude de uma constituição do imperador Antonino, aquele que matar sem motivo seu próprio escravo é passível de sanção, da mesma forma que aquele que mata o escravo de outrem.  [GAIO. Instituições.]
26. Os escravos rurais receberão no Inverno, quando trabalhem, 4 medidas (35 litros) de farinha, e 4 medidas e meia (39 litros) no Verão. O intendente, o fiscal, a gover­nanta, o pastor receberão 3 medidas (26 litros), os escravos acorren­tados 4 libras (1300 gramas) de pão no Inverno, e 5 libras (1630 gra­mas) desde o momento em que começar o trabalho da vinha até à maturação dos figos. Para alimentação dos escravos, conservar-se-á a maior quantidade possível de azeitona caída espontaneamente e das apanhadas que deem pouco azeite, devendo ser poupadas para que durem muito tempo (...).  [CATÃO. Da Agricultura]

27. É louvável mandar em seus escravos com moderação. Mesmo no que diz respeito às nossas posses humanas, cumpre perguntar-se constantemente, não apenas tudo aquilo que podemos fazê-los sofrer sem sermos punidos, mas também o que permite a natureza da equidade e do bem, a qual ordena poupar mesmo os cativos e aqueles que se compra com dinheiro. Quando se trata de homens livres de nascença, honrados, é mais justo tratá-los não como material humano, mas como pessoas que estão sob tua autoridade e que te foram confiadas, não como escravos,mas como pupilos.  Aos escravos, é permitido refugiarem-se junto a uma estátua. Embora tudo seja permitido para com um escravo, existem coisas que não podem ser autorizadas em nome do direito comum dos seres animados. Quem podia ter para com Védio Pólio um ódio maior que seus escravos? Ele engordava moreias com sangue humano e mandava jogar quem ofendia num lugar que não era senão um viveiro de serpentes. (...) [SÊNECA. Sobre a clemência.]

28. Enquanto mesmo as alianças entre duas nações são permitidas, os decênviros [comissão com dez membros] proibiram, de maneira vergonhosa, o matrimônio entre as duas ordens do povo romano, patrícios e plebeus. Essa proibição levou, mais tarde, ao plebiscito de Canuleio. [CÍCERO. República.]

29. Quem me pagar pelo ensino, receba dos deuses o que pedir.
[Inscrição pintada nas paredes da cidade de Roma – Corpus Inscriptionum Latinarum, v. IV, inscrição 8562.]

30. Em Pérgamo havia um gramático, que tinha dois escravos; todo dia o gramático ia ao banho com um deles [que o vestia e despia] e deixava o segundo trancado em casa para guardar a propriedade e fazer a comida. [GALENO]

31. Fui escravo durante quarenta anos sem ninguém saber se eu era escravo ou livre; fiz de tudo para dar plena satisfação a meu senhor, que era um homem honrado e digno. E em casa lidava com gente que não queria outra coisa além de me passar uma rasteira. Enfim, consegui sobreviver, graças sejam dadas a meu amo! Esses são méritos verdadeiros, pois, para nascer livre, não é difícil. [Relato de liberto a PETRÔNIO, escritor romano]

32. As feras que percorrem os bosques da Itália têm cada uma o seu abrigo e os que morrem pela defesa da Itália têm como bens somente a luz e o ar que respiram. Sem teto para se abrigar, eles vagueiam com suas mulheres e seus filhos. Os generais os enganam quando os exortam a combater pelos templos de seus deuses, pelas sepulturas de seus pais. Isto porque de um grande número de romanos não há um só que tenha o seu altar doméstico, o seu jazigo familiar. Eles combatem e morrem para alimentar a opulência e o luxo de outros. Dizem que são senhores do universo mas eles não são donos sequer de um pedaço de terra. [PLUTARCO. Tibério Graco. (reprodução pelo autor de um discurso de TIBÉRIO GRACO)]

33. Não consideramos que os colonos [coloni] tenham a liberdade de abandonar a terra à qual estão presos por sua situação e nascimento. Se o fizerem, que sejam trazidos de volta, acorrentados e castigados. [Decreto de VALENTINIANO I]
(...) mesmo parecendo de condição livre, são considerados escravos da terra em que nasceram. [Código Justiniano, século VI]

35. Os mercadores de escravos tinham desembarcado uma tropa em Brindisi, para seu comércio; com a intenção de iludir os direitos do fisco, eles adornaram um jovem e belo rapaz, a quem pretendiam vender bastante caro, com a bula e a toga [símbolos da cidadania], e, assim, o fizeram participar da fraude. [SUETÔNIO]

INFORMAÇÕES ADICIONAIS:
APIANO – historiador grego nascido em Alexandria em 95 e morreu em 165 d.C.
ARISTÓTELES – filósofo grego, viveu entre 384-322 a.C.
CATÃO – romano, nasceu em 234 a.C. e morreu em 149 a.C.; de origem plebeia (família rica), exerceu várias funções na estrutura política romana.
CÍCERO – escritor, orador e político romano; nasceu em 106 a.C. e morreu em 43 a.C.; participou do complô contra Júlio Cesar.
COLUMELA – escritor latino do século I d.C., natural de Cádiz.
DEODORO DE SÍCILIA – historiador grego contemporâneo de Júlio Cesar e de Otávio Augusto, morreu em fins do século I d.C.
FLORO – escritor latino de origem africana, viveu entre os séculos I e II d.C.
GAIO – escritor e jurista romano, viveu no século II d.C.
GALENO – médico e filósofo grego; nasceu em 129 e morreu em cerca de 217 d.C.
PETRÔNIO – escritor latino, nasceu em 27 e morreu em 66 d.C; sua obra mais conhecida é Satiricon.
PLUTARCO – escritor grego nascido em Atenas em 50 d.C. e morreu em cerca de 125 d.C.
SUETÔNIO – nasceu em Óstia em cerca de 62 d.C. e morreu em Roma, em cerca de 128 d.C.; historiador e escritor latino.
TÁCITO – historiador, orador e político romano, nasceu em 55 e morreu em120 d.C.
TITO LÍVIO – historiador romano nascido em 59 a.C., em Pádua; morreu em Roma, em 17 d.C.; historiador.
TUCÍDIDES – historiador grego nascido em Atenas, em 465 a.C. e morreu em 395 a.C.
VALENTINIANO I – imperador romano entre 364 e 375 d.C.

Mafalda e o Mundo






Remendar o mundo. Mas o mundo está remendado. Mas a cola não acaba, a cola não cola.


Um quebra cabeças maiúsculo. Imenso mundo, vasto mundo. Como remendar o mundo que não quer ser remendado?


Cada pedaço não se encontra com o outro.


Apesar de todos esses pedaços se encaixarem.


Apesar de todos os humanos, pedaço a pedaço, remendo a remendo serem da mesma matéria; do mesmo pó – “ashes to ashes”.


Cada pedaço não se encontra com o outro porque não quer.


Apesar de tentarmos colocar todos esses pedaços juntos. Não dá para amarra-los nem mesmo cola-los.


Como remendar o mundo? Recria-lo? Transforma-lo em mais ruínas e reergue-lo?


As ruínas.


As ruínas. Estão por toda parte. São esses pedaços, esses cacos que se recolhidos contarão suas histórias, as lutas, as pressas, as perdas, os silêncios.


Como remendar o mundo?


Contar histórias de todos os cacos juntados nas pilhas de ruínas que amontoam aos pés do progresso. E essas histórias não cansam de ser soterradas.


“Não há documento da cultura que não seja documento da barbárie”, afirmava Walter Benjamin.


Contar as histórias ... as histórias que se encaixam, apesar de não quererem.


Cada pedaço se encaixa e não se encaixa. Paradoxo?


Da mesma matéria, humana matéria, vivemos histórias.