segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Populismo


1945-1964: A REPÚBLICA POPULISTA


   Com a deposição de Vargas e a realização de eleições para a Assembleia Constituinte e para presidente (é eleito o General Eurico Gaspar Dutra, com apoio de Vargas), começa a “redemocratização” do país. Este período será caracterizado pela consolidação do populismo nacionalista, fortalecimento dos partidos políticos de caráter nacional e grande efervescência social. A indústria e, com ela, a urbanização, expande-se rapidamente.

Constituição de 1946. A Assembleia Constituinte é instalada em 5 de fevereiro de 46 e encerra seus trabalho em 18 de agosto. A nova Constituição devolve a autonomia dos Estados e municípios e restabelece a independência dos três poderes. Permite a liberdade de organização e expressão, estende o direito de voto às mulheres, restabelece os direitos individuais e extingue a pena de morte. Mantém a estrutura sindical atrelada ao Estado e as restrições ao direito de greve.

Populismo. o conceito é usado para designar um tipo particular de relação entre o Estado e as classes sociais. Presente em vários países latino-americanos no pós-guerra (Perón, na Argentina, por ex.), o populismo caracteriza-se pela crescente incorporação das massas populares no processo político sob controle e direção do Estado. No Brasil, o populismo começa a ser gerado após a Revolução de 30 e se constitui em uma derivação do regime autoritário criado por Vargas.

Governo Dutra (46-50). O início de seu governo é marcado por mais de 60 greves intensa repressão ao movimento operário. Dutra congela o salário mínimo, fecha a Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT)e intervém em 143 sindicatos. Conservador, proíbe os jogos e ordena o fechamento dos cassinos. No plano internacional alinha-se com a política norte-americana na guerra fria. Rompe relações diplomáticas com a URSS, decreta novamente a ilegalidade do PCB e cassa o mandato de seus parlamentares.

Governo Vargas. Getúlio vence as eleições de 1950 e assume o poder em 31/01/51. Governa até agosto de 1954. Apoiado pela coligação PTB/PSP/PSD, retoma as plataformas populistas e nacionalistas, mantém a intervenção do Estado na economia e favorece a implantação de grandes empresas públicas, como a Petrobrás, que monopolizam a exploração dos recursos naturais. Com uma imagem de adversário do imperialismo, é apoiado por setores do empresariado nacional, por grupos nacionalistas do Congresso e das Forças Armadas, pela UNE e pelas massas populares urbanas. Em 1952 cria o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), com o objetivo de fomentar o desenvolvimento industrial, e também o Instituto Brasileiro do Café (IBC).

Monopólio do petróleo. Sob o lema “o petróleo é nosso”, reúnem-se sindicatos, organizações estudantis, militares nacionalistas, alguns empresários, grupos de intelectuais e militantes comunistas. Os setores contrários ao monopólio e favoráveis à abertura ao capital estrangeiro incluem parte do empresariado, políticos da UDN e do PSD e grande imprensa. O debate toma conta dos país e a solução nacionalista sai vitoriosa: em 3 de outubro de 1953 é criada a Petrobrás (lei 2004) empresa estatal que monopoliza a exploração e refino do petróleo. A decisão desagrada aos EUA, que, em represália, cancelam acordos de transferência de tecnologia e estabelecidos com o Brasil. Empresas norte-americanas derrubam os preços do café no mercado internacional.

Conspiração e Suicídio. O nacionalismo de Vargas faz crescer a oposição. Em 54, políticos da UDN, boa parte dos militares e da grande imprensa, trabalham abertamente pela deposição do presidente. A crise se agrava com a tentativa de assassinato do jornalista da UDN Carlos Lacerda, dono do jornal Tribuna da Imprensa  e um dos mais ácidos opositores ao governo. Lacerda fica apenas ferido, mas o major da Aeronáutica Rubens Vaz morre. Gregório Fortunato, chefe da segurança pessoal de Vargas, é acusado e preso como mandante do crime (e depois assassinado na prisão). Em 23 de agosto, 27 generais exigem a renúncia do presidente em um manifesto à nação.

Na manhã de 24 de agosto Vargas suicida-se. No RJ a reação popular é violenta: chorando, populares saem às suas, empastelam vários jornais de oposição, atacam a embaixada dos EUA e muitos políticos udenistas, entre eles Lacerda, têm de se esconder. Os conflitos são contidos pelas Forças Armadas.

Juscelino Kubitschek: conciliação neocapitalista: O governo Juscelino (1956-61) baseou-se na política do planejamento, configurando um período de modernização (a expressão é dos anos 50). O Plano de Metas redundou num intenso crescimento industrial. Mas, mesmo assim, veio abaixo a “consciência amena de atraso”, desenvolvendo-se em seu lugar a consciência de “país subdesenvolvido”. As críticas a Juscelino eram muitas, ao fim de seu mandato, apesar da postura liberal de seu governo. As classes médias sofriam a inflação acentuado após 59. Os problemas sociais da fome, do analfabetismo e do desemprego não se resolveram, a despeito de medidas como a construção de Brasília, que, se por um lado demandou enorme utilização de mão-de-obra, por outro, aumentou a inflação por causa dos vultosos recursos gastos. O campo não se beneficiou da modernização, pois a política do clientelismo ainda emperrava qualquer iniciativa inovadora. Os desequilíbrios campo/cidade se acentuaram. A insatisfação era geral com os excessos do período Juscelino, acusado de abrir as portas do país ao capital estrangeiro.

Plano de Metas.  Com o slogan “50 anos em 5”, o Plano Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, estimula o crescimento e diversificação da economia. Juscelino investe na indústria de base, na agricultura, nos transportes, no fornecimento de energia, e  no ensino técnico. Para Juscelino e os ideólogos do desenvolvimentismo as profundas desigualdades do país só serão superadas com o predomínio da indústria sobre a agricultura. O governo JK empenha-se em baratear o custo da mão-de-obra e das matérias primas, subsidia a implantação de novas fábricas e facilita a entrada de capitais estrangeiros. Entre 1955-59 os lucros na indústria crescem 76% e a produtividade 35%. Os salários  sobem apenas 15%. “Planejamento revelou-se um equívoco. Nenhuma política democrática, nenhum cuidado de humanização do cotidiano pobre guiou o processo de industrialização e urbanização.” Alfredo Bosi

Jânio e Jango. A reação à política de JK veio com a eleição de Jânio da Silva Quadros para a presidência em 1960 (Jânio obteve a maior votação da história da República). Essa reação veio como expressão das classes médias insatisfeitas com o desenvolvimentismo que tanto custara aos cofres públicos. Mas ela veio também sem projeto político-partidário. Na disputa de Jânio com o general Lott, candidato da coligação PSD/PTB, verificou-se a fragilidade ideológica dos partidos criados após 1946.

   O populismo continua a dominar o cenário político-nacional, com Jânio, Adhemar de Barros (em SP) e algumas outras personalidades que não responderam à altura aos desafios dos graves problemas que explodiam em toda parte, como a reforma agrária, a democratização do ensino, as reformas de base, a política externa independente.

Renúncia e Crise Política. Dia 24 de agosto de 61, Carlos Lacerda, governador da Guanabara, denuncia pela TV que Jânio estaria articulando um golpe de estado. No dia seguinte, o presidente surpreende a nação: em uma carta ao Congresso afirma que está sofrendo pressões de “forças terríveis” e renuncia à Presidência. O vice-presidente, João Goulart, está fora do país, em visita oficial à China. O presidente da Câmara, Ranieri Mazzilli, assume a Presidência como interino, em 25 de agosto de 61. UDN e a cúpula das Forças Armadas tentam impedir a posse de Goulart, considerado perigoso por sua ligação com o movimento trabalhista. Os ministros militares pressionam o Congresso para que considere vago o cargo de presidente e convoque novas eleições. O jornal O Estado de São Paulo, porta-voz dos udenistas, afirma em editorial de 29 de agosto que só há uma saída para a crise: “a desistência espontânea do Sr. João Goulart ou a reforma da Constituição que retire do vice-presidente o direito de suceder ao presidente.” Frente a reação popular, em 2 de setembro o problema é contornado: o Congresso aprova uma emenda à Constituição que institui o regime parlamentarista. Jango toma posse mas perde os poderes do presidencialismo.

   O mandato de Jango será marcado pelo confronto entre os diferentes projetos políticos e econômicos para o Brasil, conflitos sociais, greves urbanas e rurais e um rápido processo de organização popular. O parlamentarismo, estratégia da oposição para manter o presidente sob controle, é derrubado em janeiro de 1963: em um plebiscito nacional 80% dos eleitores optam pela volta ao presidencialismo.

Reformas de Base. “Estas reformas visavam, basicamente, a resolver alguns dos impasses enfrentados pelo capitalismo brasileiro no início dos anos 60. Não tinham, assim, nenhum caráter transformador, muito menos revolucionário, como apregoavam setores das classes dominantes. Elucidativo a este respeito foi o caso da proposta mais polêmica e mais intensamente defendida pelo governo: a Reforma Agrária. Tal reforma buscava responder às necessidades de expansão do capitalismo industrial brasileiro ao mesmo tempo que atendia aos imperativos da ordem burguesa.” [Caio de Toledo]

A oposição a Jango. As medidas nacionalista de Jango (limita a remessa de lucros para o exterior; nacionaliza empresas de comunicações e decide rever as concessões para exploração de minérios) sofrem retaliações estrangeiras: governo e empresas norte-americanas cortam créditos para o Brasil e interrompem a renegociação da dívida externa. Internamente, a sociedade se polariza. Esta polarização se reflete no Congresso onde são criadas a Frente Parlamentar Nacionalista em apoio ao presidente e a Ação Democrática Parlamentar, de oposição. A Ação Democrática Parlamentar recebe ajuda financeira do Instituto de Ação Democrática (Ibad), instituição mantida pela Embaixada dos EUA. Setores do empresariado paulista formam o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), com o objetivo de disseminar a luta contra o governo entre os empresários e na opinião pública. A grande imprensa pede a deposição de Jango em seus editoriais.

A Crise do Populismo. No início de 64, o país chega a um impasse. O governo já não tem apoio da quase totalidade das classes dominantes e os próprios integrantes da cúpula governamental divergem quanto aos rumos a serem seguidos. A crise se precipita no dia 13 de março, com a realização de um grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no RJ. Perante 300 mil pessoas, Jango decreta a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropria para fins de reformar agrário propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação doas açudes públicos. Tais decisões provocam a reação das classes proprietários, de setores conservadores da Igreja e de amplos segmentos das classes médias. A grande imprensa afirma que as reformas levarão à “cubanização” do país. Em 19 de março é realizada em SP a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”: estava aberto o caminho para o golpe.

 fonte: CLIO

 

domingo, 25 de agosto de 2013

FASCISMOS


 
1. As raízes do totalitarismo

     Após a I guerra Mundial, a Europa enfrentou um contexto de destruição material, grande número de mortos e mutilados, desemprego e inflação. Essa situação gerou greves, revoltas e mobilizações que contestavam a ordem capitalista. A crise parecia preparar o terreno para uma revolução socialista, semelhante à que ocorrera alguns anos antes na Rússia. No entanto, a crise contribuiu para o desenvolvimento de regimes totalitários de extrema direita.

[Totalitarismo: são considerados totalitários os Estados centralizados e militarizados, estruturados em torno de um líder e seus burocratas, todos ligados a um mesmo partido, apoiado nas forças armadas e exercendo o controle da sociedade por meio de grupos paramilitares, da polícia secreta, da censura, da espionagem e da exaltação do líder por meio da propaganda.]

     O sistema democrático parlamentar, presente em alguns países europeus, ficou desgastado no período posterior à I Guerra. A sociedade responsabilizava os políticos e os partidos liberais pela crise social e econômica. As propostas radicais [extremas], tanto de direita como de esquerda, começaram a ter milhares de adeptos [seguidores]. O aumento da influência dos partidos de extrema esquerda e de extrema direita demonstrava o descrédito em relação à democracia.

    O fascismo italiano e o nazismo alemão foram dois movimentos políticos antidemocráticos que surgiram na Europa no pós-guerra. Além de criticar as democracias liberais, eles também combatiam o comunismo, por considerar que essas duas formas de governo destruíam valores supremos da nação e da pátria, favorecendo a corrupção econômica e política ou pregando o internacionalismo proletário, que enfraqueceria as forças do Estado nacional.

     Os governos fascistas conquistaram o apoio de muitos setores da população, conseguindo financiamentos da alta burguesia [grandes empresários], visto que garantiam a ordem do sistema capitalista, os lucros e as propriedades, ameaçados pelo fortalecimento do comunismo.

2. O Fascismo na Itália

    A situação da Itália após 1918 era crítica. A crise econômica gerava milhares de desempregados e grande insatisfação popular. Conflitos entre anarcossindicalistas e nacionalistas e entre camponeses e [grandes] proprietários de terras agitavam o país. As forças operárias de esquerda canalizaram esse descontentamento, como o Partido Socialista, que chegou a ter 216000 membros em 1920.

    Nesse contexto, o medo da possibilidade de uma revolução socialista levou representantes do grande capital a descartar os partidos mais moderados e a apoiar política e financeiramente os grupos de extrema direita, especialmente o Partido Nacional Fascista, ironicamente uma dissidência do Partido Socialista.

[Fascismo: o termo vem de fascio, derivado de fascis, que significa feixe, fardo de varas. Um feixe de varas amarrado ao cabo de um machado e de um gládio era o símbolo e instrumento de Poder na República Romana na Antiguidade. Nos anos 1920, Benito Mussolini, Il Duce, adotara esse símbolo e referia-se aos grupos de combate [paramilitares] do Partido como os fasci di combatimento.]

    Fundado em 1921, o Partido Nacional Fascista contava com o apoio da pequena burguesia, de ex-combatentes, desempregados e outros setores, temerosos do avanço da esquerda. Em 27/11/1921, os militantes fascistas, chamados de Camisas Pretas, realizaram uma passeata conhecida como a Marcha sobre Roma, da qual participaram cerca de 40000 pessoas exigindo o fim das agitações sociais. Pressionado pelos grupos que apoiavam o movimento, o rei Vítor Emanuel III demitiu o Primeiro Ministro e convidou Benito Mussolini, líder do Partido Fascista, a compor o governo. [na prática foi nomeado Primeiro Ministro]

    As eleições de abril de 1924 deram maioria aos fascistas no Parlamento [o que confirmava Mussolini como chefe de governo – Primeiro Ministro]. A oposição, atordoada e dividida, sofreu violenta repressão por parte do novo governo – muitos foram presos, exilados ou mortos. Foi nesse contexto que instaurou-se o Poder Totalitário na Itália.

    O Parlamento tornou-se um órgão sem nenhum poder; a imprensa, controlada de perto, transformou-se em porta-voz do governo; o trabalho foi disciplinado pelo conjunto de leis da Carta Del Lavoro [Carta do Trabalho). Além disso, a economia, colocada sob a direção do Estado, deu ênfase à indústria pesada e principalmente ao setor bélico.

    Sob esse regime político, a Itália envolveu-se em ações imperialistas [necessidade de expandir o espaço vital da nação] que garantiu a conquista da Etiópia, na África, mas ao mesmo tempo foi dispendiosa o suficiente para esgotar as finanças. O Estado Fascista Italiano estava econômica e militarmente despreparado para a guerra que viria em 1939.

 

[ANEXO: MANIFESTO FUTURISTA (Publicado em 20 de Fevereiro de 1909, no “Le Figaro”)

1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.

2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.

3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.

4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com o seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

5. Nós queremos glorificar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada também numa corrida sobre o circuito da sua órbita.

6. É preciso que o poeta prodigalize com ardor, esforço e liberdade, para aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.

7. Não há mais beleza, a não ser na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças desconhecidas, para obrigá-las a prostrar-se diante do homem.

8. Nós estamos no promontório extremo dos séculos!… Por que haveríamos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já estamos vivendo no absoluto, pois já criamos a eterna velocidade omnipotente.

9. Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo –, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos libertários, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo pela mulher.

10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de toda a natureza, e combater o moralismo, o feminismo e toda a vileza oportunista e utilitária.

11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos as marés multicores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas lutas eléctricas; as estações esganadas, devoradoras de serpentes que fumam; as fábricas penduradas nas nuvens pelos fios contorcidos de suas fumaças; as pontes, semelhantes a ginastas gigantes que cavalgam os rios, faiscantes ao sol com um luzir de facas; os piróscafos aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de largo peito, que pateiam sobre os trilhos, como enormes cavalos de aço enleados de carros; e o voo rasante dos aviões, cuja hélice freme ao vento, como uma bandeira, e parece aplaudir como uma multidão entusiasta.]

 
3. A Crise de 1929

    A capacidade produtiva dos países europeus foi drasticamente reduzida com I Guerra, tanto pela destruição de grande parte dos meios de produção [fábricas, terras], quanto pela perda de expressiva parcela da força de trabalho [trabalhadores]. Com isso, a procura de alimentos e matérias-primas na Europa, no pós-guerra, acabou estimulando a produção em países de outros continentes, que passaram a fornecer diversos artigos para o mercado europeu.

    Os EUA foram os que mais se beneficiaram com o conflito. Primeiramente, à custa do crescente endividamento dos países europeus, os EUA passaram à condição de maior nação credora do mundo.

    Na década de 1920, os estadunidenses continuaram concedendo empréstimos aos países europeus, com elevadas taxas de juros. Desse modo, a I Guerra fez dos EUA o centro das finanças mundiais.

    No pós-guerra, enquanto os países europeus mergulhavam numa crise econômica nunca vista – com a queda na produção, desemprego e inflação -, os EUA viviam um dos períodos mais prósperos de sua história. A produção agrícola nunca havia atingido níveis tão elevados; a produção industrial automobilística; o número de carros em circulação, de ferrovias e de linhas aéreas superava o de todos os países europeus juntos; geladeiras, aparelhos de rádio e automóveis atraíam o consumidor para o crediário.

    No final dos anos 1920, os EUA estavam em plena euforia econômica. A agricultura, considerada a mais mecanizada do mundo, abastecia de alimentos tanto o mercado interno quanto o externo. As indústrias funcionavam a todo o vapor, e a população, principalmente as camadas mais favorecidas, consumia compulsivamente. Nessa época, poupanças e reservas pessoais de uma vida inteira eram confiadas às firmas de Wall Street e investidas na Bolsa de Valores de Nova York, e todos acreditavam que a prosperidade jamais terminaria. Entretanto, o crash de 1929 cortou a expansão econômica e minou o chamado american dream, isto é, a crença de que todo cidadão poderia ser bem sucedido.

    A crise teve sua raiz principal na superprodução. O mercado consumidor não tinha capacidade de absorver toda produção, isto é, as pessoas não consumiam no mesmo ritmo da produção.

    E, ainda, a renda concentrava-se nas mãos dos capitalistas (banqueiros, empresários especuladores da bolsa, grandes industriais) e de cidadãos da classe média, enquanto os trabalhadores não tinham dinheiro para consumir. Em 1929, 1% dos estadunidenses controlavam 34% da economia e tinham uma renda 630 vezes maior que a média dos rendimentos dos cidadãos pobres.

    Como a oferta de produtos era maior do que a procura, os preços caíram. Mas, à medida que os preços caíam, os investidores iam despejando as ações das empresas no mercado, até que todos queriam vender e ninguém queria comprar. Resultado: a Bolsa de Nova York quebrou e, com ela, a economia dos EUA e do resto do mundo.

    Milhões de pessoas perderam todo o seu patrimônio, investido em títulos e ações que deixaram de ter valor. A produção estadunidense reduziu-se à metade e o número de desempregado saltou de 400000 para 12 milhões!

    Isso significou a redução drástica dos empréstimos estadunidenses ao exterior, provocando uma reação em cadeia que parecia incontrolável. A falta de crédito fácil e em curto prazo reduziu também o investimento e o consumo internos nos EUA.

    A recessão atingiu diversos setores das economias europeias, como o de produção de alimentos e matérias-primas, que reagiram aumentando a oferta de seus produtos no mercado. A oferta excessiva de mercadoria e a falta de consumidores provocaram uma crise na economia mundial.

    Na América Latina, na maior parte da Ásia e da África, que dependiam das exportações de matérias-primas e alimentos dos países industrializados, a crise de 1929 também provocou efeitos negativos, forçando-os a reduzir a produção. A crise teve grande impacto nos países produtores de café, algodão, açúcar, borracha [como o Brasil], trigo, seda, cobre e estanho, que exportavam diretamente para os EUA.

    Entre 1929 e 1939, por exemplo, o comércio sofreu uma redução de quase um terço de suas atividades em todo o mundo. A severidade da chamada Grande Depressão estava expressa no desemprego em massa, na fome, na miséria.

    Os efeitos da crise na Europa fortaleceram os setores que combatiam a democracia e o liberalismo, os fascistas. Desde o pós-guerra, grupos nacionalistas extremistas culpavam a democracia liberal pela crise econômica e exigiam um Estado forte para combater o desemprego e a miséria. Isso fortaleceu mais ainda posições como a dos nazistas na Alemanha.

4. New Deal

    Nas eleições presidenciais de 1932, nos EUA, o presidente Herbert Hoover, do Partido republicano, tentou a reeleição. Os eleitores estadunidenses, porém, elegeu o democrata Franklin Delano Roosevelt, que venceu por uma diferença de 7 milhões de voto.

     Entre 1933 e 1945, Roosevelt implementou o programa denominado New Deal, com o objetivo de resolver o problema do desemprego e reaquecer a economia, retomando o crescimento econômico interrompido em 1929.

    Essa política levou o governo dos EUA a intervir fortemente na economia, intensificando a vigilância sobre as atividades bancárias e as operações na Bolsa, além de regulamentar a atuação das associações operárias, dos sindicatos e das indústrias. Além disso, foram criadas frentes de trabalho para a realização de obras públicas, como construção de barragens e saneamento urbano, para as quais foram recrutados milhares de desempregados nas grandes cidades.

     Para reduzir a superprodução agrícola e elevar o preço dos  produtos, o governo subsidiou os fazendeiros, para que deixassem  suas terras em repouso. No setor trabalhista, decretou a semana legal de 40 horas e o pagamento do salário mínimo, com o objetivo de impor à indústria a admissão de maior número de trabalhadores.

    O New Deal teve forte oposição dos setores conservadores da sociedade estadunidense, que apontavam a intervenção na economia como um processo de socialização da vida nacional. Apesar de esse programa se mostrar eficiente, apenas durante  a II Guerra Mundial a economia dos EUA voltou a ter pleno crescimento.

    Seguindo a linha de ação adotada nos EUA, outros países, principalmente do mundo ocidental, mudaram as regras do jogo para reativar suas economias, abrindo mão dos princípios do liberalismo econômico. Grandes obras foram executadas, com o objetivo de gerar novos empregos. Políticas de combate à inflação entraram em vigor, reduzindo drasticamente o volume de papel-moeda em circulação. As importações diminuíram sensivelmente a partir da elevação das tarifas alfandegárias. As políticas sociais ganharam prioridade sobre as econômicas.

    A quebra da economia mais rica do mundo provocou uma reação em cadeia, demonstrando o caráter global do capitalismo. Nas ações de combate à crise, o liberalismo foi substituído pelo nacionalismo econômico, fomentando a ideia de que era preciso um Estado forte para enfrentar os problemas causados pelo capitalismo liberal.

[O crescimento da economia soviética: em meio aos escombros da crise, o Estado Soviético chamava a atenção com a industrialização rápida e intensa. A expansão econômica foi regida por Planos Quinquenais, que estipulavam o que produzir, como produzir e como distribuir. Entre 1929 e 1940, a produção industrial soviética triplicou. Além disso, o índice de desemprego era muito baixo. Entre 1930 e 1935, influentes observadores econômicos foram a Moscou conhecer o sucesso da coletivização do processo produtivo. Durante décadas os estudiosos da economia se dividiram entre a defesa da economia planificada e do liberalismo econômico.]

5. O Nazismo na Alemanha

    A derrota da Alemanha na I Guerra gerou uma grave crise econômica devido, entre outros fatores, às imposições do Tratado de Versalhes. A República de Weimar, surgida em 1919, enfrentava a oposição da maioria dos alemães.

    Em 1919, os espartaquistas [dissidência do Partido Social Democrata, que estava no poder], que formariam o Partido Comunista Alemão, liderados por Rosa Luxembugo e Karl Liebknecht, organizaram uma manifestação em Berlim exigindo a deposição do chefe de Estado. O movimento foi reprimido por forças do governo e seus líderes presos e condenados a morte.

    Além dos problemas políticos, a Alemanha vivia sérios problemas econômicos. A necessidade de constante emissões de papel-moeda agravara a inflação. No ano de 1919 um marco  valia US$ 8,9, em 1923, US$ 1 equivalia a 4 bilhões de marcos.

    A responsabilidade pelo aprofundamento da crise recaia sobre o governo. Após um curto período de recuperação econômica, a grande depressão causada pela quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, interrompeu as remessas de capitais dos EUA, o que levou a Alemanha a uma nova bancarrota.

    Nesse contexto, duas propostas contrárias diziam-se capazes de solucionar a crise. De um lado a esquerda, representada pelo Partido Social Democrata e sua dissidência o Partido Comunista; do outro, a extrema direita, representada pelo Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, o Partido Nazista.

    À semelhança do ocorreu na Itália, os grandes empresários e a pequena burguesia, temerosos do avanço da esquerda na Alemanha, optaram pelo apoio aos nazistas, liderados por Adolf Hitler.

     Os nazistas consideravam-se membros da “raça” pura (arianos), não miscigenada e superior a todas as outras. Entendiam ser fundamental conquistar um espaço vital para o desenvolvimento de sua ‘raça”, o que pressupunha a conquista de territórios de determinados povos considerados inferiores e para assegurar populações de origem alemã, como na Tchecoslováquia, na Polônia e na Áustria.

    A defesa de um Estado Totalitário, da superioridade alemã, o antissemitismo, o combate aos comunistas e o nacionalismo exacerbado constituíram os pilares dos ideais nazistas. Com base nesses princípios, os nazistas foram responsáveis pela perseguição e morte de milhares de judeus, portadores de necessidades especiais [físicas e mentais], homossexuais, ciganos, testemunhas de Jeová e militante de esquerda durante 1933 e 1945.

    Em 1930, as eleições para o Reichstag (Parlamento) foram realizadas num clima de instabilidade econômica e social. O Partido Nazista ocupou 107 cadeiras e, em 1932, elegeu 230 deputados.

    Diante do crescimento eleitoral da extrema direita, o presidente Hindenburg atendeu às pressões das elites e dos setores médios da sociedade e indicou Adolf Hitler para chanceler [Primeiro Ministro], em 1933.

    Depois que assumiu o poder, o prédio do Reichstag foi incendiado e a responsabilidade foi atribuída aos comunistas. Esse episódio deu aos nazistas a chance para adotar uma série de medidas para consolidar o totalitarismo: a imprensa passou a ser controlada e tornou-se porta-voz do governo; os partidos de oposição e os sindicatos independentes foram dissolvidos; os indivíduos contrários à ideologia nacional-socialista [nazista] foram presos, deportados ou executados; a indústria pesada recebeu incentivos, em especial a indústria bélica.

    Com a morte de Hindenburg, em 1934, Hitler assumiu a Presidência, concentrando com isso todos os poderes. Entre 1933 e 1939, o Estado adotou uma política expansionista, militarista, racista e ultranacionalista sob o führer. Os problemas econômicos foram  enfrentados pelo investimento do Estado em obras públicas e na indústria armamentista. Devido à mobilização militar, o desemprego foi reduzido. Ao mesmo tempo, os judeus foram proibidos de ocupar cargos públicos e acabaram sendo expropriados.

   

[Adaptado de BRAICK, Patrícia Ramos; MOTA, Myriam Becho. História. Das cavernas ao terceiro milênio: desafios do terceiro milênio. 2ª ed., São Paulo, Moderna, 2006, pp. 92-102.]

sexta-feira, 31 de maio de 2013

REVISÃO DO 1º SEMESTRE 2013


REPÚBLICA NO BRASIL – elementos formadores/caracterizadores

1. Coronelismo - domínio político exercido por poderosos proprietários rurais em seus municípios e estados.

2. As práticas coronelistas: controle da máquina político-administrativa [poder político] nos municípios e nos estados; controle das eleições para todos os níveis [Prefeituras, Câmaras Municipais; Governos dos estados, Assembleias Legislativas; Presidência da República; Câmara dos Deputados, Senado] através da troca de favores, cargos e verbas e da coação física sobre o eleitor.

3. Política dos Governadores – prática consolidada com o presidente Campos Sales; troca de favores [verbas públicas, cargos, apoio político] entre a presidência da República, os representantes dos estados no Congresso Nacional e os governadores dos estados.

4. “Política do Café com Leite” – predomínio das oligarquias dos estados de São Paulo [força econômica – produção cafeeira] e de Minas Gerais [maior população, portanto maior número de eleitores]; não implicava um revezamento entre essas oligarquias na Presidência da República e sim o apoio dado ao candidato escolhido pelo Presidente no momento das eleições.

5. Todas essas práticas fortaleceram o poder das oligarquias estaduais.

IMPERIALISMO – caracterização e consequências

1. Imperialismo – prática adotada pelos países mais desenvolvidos [da Europa, EUA, Japão] em estabelecer o domínio sobre várias regiões do mundo com o objetivo de conseguir controle sobre mercados, fontes de matérias primas, fontes de combustíveis, riquezas [ouro, prata, diamantes, por exemplo]; domínio, também, sobre áreas estratégicas do ponto de vista político-militar.

2. Afirmamos que O imperialismo é filho da Industrialização  - o imperialismo só ocorreu por causa da expansão industrial.

3. Durante o século XIX [Segunda Revolução Industrial] as empresas maiores começaram a absorver outras formando “gigantes” nas áreas industrial e, também, financeira. Assim, formam-se oligopólios [poucos – grupos ou pessoas – controlando muitas empresas]: TRUSTES: fusão de diversas empresas do mesmo ramo – empresas que dominam todas as etapas da produção; CARTÉIS: grupo de grandes empresas que estabelecem entre si um acordo com o objetivo de controlar os preços ou o mercado de um determinado setor – acumulação horizontal de capital; HOLDINGS: empresa que detém o controle acionário sobre outras empresas embora elas mantenham denominação própria e independência.

4. Acentua-se o processo, iniciado no século XVI, de Divisão Internacional do Trabalho [DIT]: países mais desenvolvidos [na Europa, EUA, Japão] passam a tornar dependentes regiões/países na África, na Ásia, na Oceania e América Latina.

7. O continente africano, por exemplo, foi repartido entre os países europeus que competiam por mercados, matérias primas e maior influência política [hegemonia] no próprio continente europeu – Conferência de Berlim, 1884-1885. Como afirma Alberto Costa e Silva: A França, a partir da Argélia e do Senegal, procurava pelo interior, pelo Sael e pelas savanas sudanesas – evitando, assim, ter de enfrentar a supremacia [...] do Reino Unido [...], bem como os territórios dos Camarões e do sudoeste africano, sobre os quais punha as mãos a Alemanha. A Espanha era senhora do rio do Ouro. E o rei Leopoldo II da Bélgica tornar-se-ia dono da imensidão do Congo, após ter devaneado apoderar-se de Mato Grosso, no Brasil, para ali fundar o seu império. [SILVA, Alberto da Costa e. Um rio chamado Atlântico: a África no Brasil e o Brasil na África. Rio de Janeiro: Nova Fronteira/Editora UFRJ, 2003. p. 68.]

8. A essa partilha – e a outras – chamamos Neocolonialismo: forma de ocupação e dominação diferente da que ocorreu entre os séculos XVI e XVII, que serviu, também para direcionar excedente populacional de países europeus em direção às novas colônias.

9. Para justificar as práticas imperialistas/neocolonialistas, desenvolveram-se teorias que afirmavam a superioridade dos “brancos” sobre os demais povos e estabeleciam uma hierarquia entre as “raças” [no topo, os brancos europeus, na base, os negros africanos].
10. As consequências: freio às possibilidades de desenvolvimento das regiões dominadas; extermínio de populações inteiras como forma de manter o domínio [Congo Belga]; acirramento das disputas entre as etnias africanas [Ruanda]; aumento dos conflitos entre os países imperialistas, que resultaram na I Guerra Mundial [1914-1918] e, para alguns estudiosos, a II Guerra Mundial [1939-1945].

I GUERRA MUNDIAL – caracterização e consequências

1. o aprofundamento da concorrência imperialista provocou conflitos cada vez mais intensos; a isso juntam-se interesses locais – que podemos considerar um “imperialismo caseiro” – na Europa: a Rússia tinha interesse em estabelecer uma “federação” de povos eslavos estendendo sua influência para a região dos Balcãs [Paneslavismo]; a Alemanha desejava algo parecido estendendo sua influência sobre as regiões cujos povos tinham origem germânica; além disso, a França mantinha viva a derrota diante da Alemanha [1871] na qual perdera a rica região da Alsácia-Lorena.

2. Os países europeus mantinham a paz, mas incentivavam o desenvolvimento armamentista [verdadeira corrida para desenvolver e produzir cada vez mais armas melhores]; além disso, formaram alianças políticas com objetivo de consolidar posições e manter a influência política; era um equilíbrio instável.

3. Citação: O clima internacional na Europa era carregado de antagonismos [oposições] que se expressavam na formação de alianças [secretas e não secretas], tornando a ameaça de uma guerra inevitável. O desenvolvimento desigual dos países capitalistas, a partir do século XIX, levara países que chegaram tarde à competição internacional, como a Alemanha, a reivindicarem uma redivisão do território econômico mundial. Cada vez mais aumentou a rivalidade pela luta por mercados consumidores de produtos industriais, pela aquisição de matérias-primas fundamentais e por áreas de investimento. [Adaptado de AQUINO, Rubim Leão de et al. História das sociedades: da Moderna à Contemporânea. Rio de Janeiro: Record, 2000.]

4. As Alianças: Entente Cordiale [Acordo Cordial, 1904] - França, Inglaterra, Rússia [saiu em 1917], e após 1915, Itália, EUA, Japão e mais 18 países; Tríplice Aliança [1882] - Alemanha, Áustria-Hungria, e após 1915 Itália [sairia logo]; mais Turquia e Bulgária.

5. Os conflitos estenderam-se até 1918. O número de mortos [entre soldados e civis] foi de 9 milhões.
6. Consequências: degradação dos ideais liberais e democráticos, agitações políticas de esquerda, crise econômica e desemprego; Tratado de Versalhes, que significou a revanche da França e a humilhação da Alemanha acusada por toda a Guerra e obrigada a pagar pesada indenização aos vencedores; formação de outros países, que na realidade serviriam como escudos para interesses futuros da URSS e enfraqueceriam as ideias de união dos povos alemães [Tchecoslováquia; Polônia – reconstruída; Iugoslávia – sob a hegemonia da Sérvia; Áustria; Hungria] e reconfiguração de outros com a absorção ou perda de territórios.

domingo, 26 de maio de 2013

TEXTOS DE APOIO

REPÚBLICA NO BRASIL-I


REPÚBLICA NO BRASIL - I


    Podemos definir República como o exercício da liberdade de ação [política] voltada para o bem público, o bem comum. No Brasil, a tradição republicana encontra-se nos movimentos emancipacionistas desde o final do século XVIII [Inconfidência Mineira, 1789 e Conjuração Baiana, 1798] e do século XIX [Insurreição Pernambucana, 1817; Confederação do Equador, 1824; Revolução Farroupilha, 1835-45; Revolução Praieira, 1848]; como ideia principal a necessidade de estabelecer um Estado e um governo sem a presença da família Real Portuguesa, isto é, buscar a constituição efetiva e concreta de um Estado Nacional Brasileiro.

     A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi mais um movimento de descontentamento formado por setores das elites agrárias das províncias (principalmente cafeicultores paulistas), setores médios das cidades (jornalistas, advogados, médicos, estudantes) e os militares, em especial do Exército. Os interesses eram diversos, mas convergiam no ponto de que a monarquia não era mais adequada para garantir direitos e privilégios.

1. Governo Provisório – 1889/1891

     Imediatamente após a Proclamação instituiu-se um governo provisório chefiado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. As primeiras medidas foram:

- destituição de todos os Presidentes das ex-províncias e dissolução das Assembleias [provinciais], das Câmaras Municipais [centros de poder local] e do Conselho de Estado;

- transformação das províncias em estados [a semelhança dos EUA];

- convocação da Assembleia Constituinte, 22/6/1890 [houve pressões tanto do Mal. Deodoro da Fonseca quanto de cafeicultores e positivistas, que não desejavam uma nova Constituição].

     Durante a Assembleia Constituinte as discussões foram conflituosas entre os grupos republicanos. O que prevaleceu no texto constitucional foram os princípios Liberais.

     Esse texto foi promulgado [aprovado pela Assembleia] em 24/2/1891 estabeleceu, em suas disposições transitórias, que as eleições indiretas para a Presidência e Vice-Presidência.  Os candidatos se apresentaram e as pressões políticas e ameaças aos deputados foram muitas até a eleição do Mal. Deodoro da Fonseca para Presidência [de uma chapa] e o Mal. Floriano Peixoto para Vice [de outra chapa].

     Outros pontos aprovados foram: estabeleceu o Federalismo [autonomia política e administrativa dos estados] e o Presidencialismo, sufrágio não secreto [voto aberto], sistema bicameral [Senado e Câmara dos Deputados, em nível Federal], eleições diretas [escolha direta dos cargos eletivos: presidente da República, presidente de estado, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores].

2. Governo de Deodoro – 1891 [24/1 e 23/12]

     O governo de Deodoro foi marcado por muita instabilidade política e o acirramento dos conflitos entre os grupos republicanos e setores populares. Isso foi agravado pela intervenção nos estados para eliminar oposições, a decretação do Estado de Sítio para reprimir as oposições; e a tentativa de estabelecimento de uma Ditadura. Além disso, a política econômica adotada, conhecida por Encilhamento [adoção de Medidas para aumentar o crédito e o investimento na produção e no comércio], provocou a emissão de moeda sem lastro e a especulação financeira, que resultou em inflação crescente, que chegou a 89,9% em 1891 [em 1889 estava em 1,1 %] e falências generalizadas. O resultado foi a renúncia de Deodoro.

3. Governo de Floriano – 1891/1894

    O governo de Floriano Peixoto foi marcado pela centralização e fortalecimento do Poder Executivo, medidas a favor da maioria da população, em especial na capital, Rio de Janeiro pelos conflitos entre grupos radicais [“jacobinos”] e portugueses [considerados monarquistas] e apoio de cafeicultores paulistas [recursos financeiros e força armada].

    Porém, o governo enfrentou oposições acirradas em alguns estados e na Marinha. Entre 1893 1895 ocorreram a Revolta Federalista [1893-1895, RS/SC], que opuseram setores oligárquicos apoiadores de Floriano, os positivistas/centralistas (pica-paus) contra os setores LIBERAIS/FEDERALISTAS (maragatos); e Revolta da Armada – [1893], liderada pelo Almirante Custódio de Melo, contra as medidas do governo de Floriano.

4. Propostas Republicanas

    Durante a constituição da República ocorreram debates entre os apoiadores de três propostas:

    - POSITIVISTA: o governo deve ser centralizado e forte para manter a ordem e permitir o progresso; a fundamentação encontra-se no Pensamento Iluminista, mas estabelece a necessidade de uma Ditadura efetiva orientada por aqueles que são considerados POSITIVISTAS e pelos Empresários; no contexto brasileiro, o grupo ideal a concretizar um projeto positivista é o militar [ordem].

    - JACOBINO: sob influência das ideias radicais dos JACOBINOS franceses [REVOLUÇÃO FRANCESA], agem para estabelecer um governo com participação popular e representatividade direta, mas aproximam-se de Floriano Peixoto e apoiam as medidas centralizadoras e de fortalecimento do Poder Executivo.

   - LIBERAL-FEDERALISTA: sob influência do ideário LIBERAL de vertente estadudinense, apoiaram propostas federalistas [descentralização/autonomia política e administrativa] e da garantia das liberdades individuais e da propriedade privada; prevalece no texto Constitucional de 1891 com as devidas adaptações ao contexto brasileiro.

5. República Oligárquica – 1894-1930

    A maior parte da população brasileira vivia no campo [estima-se em 70% da população economicamente ativa, PEA]; eram naturais do Brasil e imigrantes que trabalhavam em troca de algum rendimento ou eram arrendatários. Havia carência de condições de saúde e higiene, de educação e estavam sujeitos aos interesses dos donos de terras.

    Nas cidades crescia o contingente de trabalhadores nas indústrias e dos setores médios ligados às atividades de prestação de serviços. O maior crescimento observava-se em São Paulo e Rio de Janeiro. Nelas, as transformações eram aceleradas: avenidas  eram abertas;  lojas, restaurantes, cafés e teatros em estilo europeu eram construídas; o tráfego de bondes e, depois, carros, acelera a vida; enquanto cresciam os bairros operários distantes dos centros “chics”.

    Nesse cenário as relações sociais e políticas garantiam o poder das oligarquias e a exclusão da maioria da população das decisões políticas e administrativas.

    Dois partidos destacavam-se: o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro. Todos os acordos políticos passavam pelas mãos desses partidos de maneira a considerarem que a política do período era “Café com Leite”.  Sabemos hoje que nem todos os presidentes da República eleitos eram paulistas ou mineiros, porém todos tinham o apoio de um desses partidos ou de ambos.

    A manutenção das oligarquias no poder tanto em nível Federal quanto no Estadual dependia de acordos mútuos, que ficaram conhecidos como Política dos Governadores, ou dos Estados. A concretização desse mecanismo de poder ocorreu no governo de Campos Sales [1898-1902] e podemos caracterizá-la da seguinte maneira:

- equilíbrio entre as instâncias [poder público municipal, estadual e federal] de poder e as oligarquias;

- submeter as camadas populares e afastar as oposições;

- estabelecimento de uma hierarquia entre as instâncias de poder e os mecanismos de exclusão;

- troca de favores: apoios políticos [eleições e aprovação de leis nas câmaras legislativas] e verbas públicas;

- instituiu-se a Comissão de Verificação de Poderes: regulamentação dos “diplomas” dos deputados com intuito de validar a posse dos eleitos.

     Além disso, podemos caracterizar o quadro político do período com elementos herdados da colonização portuguesa e do Império: Privatização do Público [patrimonialismo – o uso dos bens públicos em benefício de interesses particulares]; a Ideologia do Favor e o Clientelismo [a troca de favores entre quem detinha o poder e pessoas das camadas populares, além de estabelecimento de “uma rede” de favores em órgãos públicos]; e o Mandonismo [o exercício do poder nos municípios sem levar em conta a lei]. Costumamos nos referir a essas práticas políticas como CORONELISMO [controle político de latifundiários e outros com  poder econômico nos municípios; uso da coação física e da troca de favores – “voto de cabresto”, “curral eleitoral”].

 

 IMPERIALISMO-I

 

IMPERIALISMO (1870-1914), uma definição: É o movimento do grande capital financeiro europeu em busca de novos mercados tanto na Ásia, África e na América Latina. Os Estados europeus eram o grande instrumento desse movimento, em que em alguns casos, houve ocupação militar e em outros, apenas entrada de capitais. O Imperialismo teve a sua arrancada com a crise e superprodução de1873, que leva o grande capital europeu a buscar novos mercados, matérias-primas e escoadouros para o excesso de capital na Europa. Não é à toa que a presença das empresas é maior que a dos governos nas colônias imperialistas.
O Imperialismo na África: Quadro geral da África antes do Imperialismo: O continente é diverso antes das incursões europeias. Na região mediterrânea, existia o grande e decadente Império turco-otomano. Outras regiões litorâneas da África foram colonizadas desde os tempos do velho colonialismo, como Angola e África do Sul. Mas a maior parte da África não tinha qualquer dominação estrangeira, tendo a sua lógica geopolítica e social própria.
Justificativa ideológica do Imperialismo: Os países europeus davam várias desculpas para legitimar e explicar a invasão dessas regiões. As principais eram: a missão civilizatória feita por povos civilizados sobre os povos bárbaros, a divisão das riquezas materiais do mundo, a evangelização cristã de povos que não conheciam a verdadeira religião e a superioridade racial dos povos brancos sobre os povos  “preto e amarelo”.
A divisão da África: Na colonização da África, feita antes da asiática, apenas os povos europeus participaram. Os principais certamente eram Inglaterra e França, que dominavam a maior parte do continente. A Alemanha, também importante, chegou atrasada na corrida imperialista, por isso, não conseguiu muitos e bons territórios. Portugal e Itália foram convidados pela Inglaterra a participar da corrida para que a França não dominasse regiões muito vastas e para constituírem estados-tampões entre territórios britânicos e franceses, grandes rivais na corrida imperialista.
Consequências da dominação para os africanos: Os povos da África foram deslocados de suas terras para dar lugar a minas e plantations exportadoras, onde ainda tinham que trabalhar em condições lastimáveis e, muitas vezes, em regimes compulsórios. A produção de alimentos em todo o continente foi completamente desorganizada, dando início aos sérios problemas de fome que remetem às fomes vividas hoje em dia. Os europeus ainda cobravam impostos em dinheiro dos africanos em economias não- monetárias, obrigando os africanos a trabalharem, muitas vezes para os europeus, para poderem pagar os impostos. As culturas africanas foram consideradas inferiores e cultura e línguas europeias foram impostas aos povos dominados. Havia, ainda, em muitas regiões um sistema de discriminação racial, o apartheid – como na África do Sul– que considerava os africanos seres humanos de segunda classe.
Parâmetros do Imperialismo na Ásia: Assim como na África, o Imperialismo na Ásia tinha o mesmo motivo e objetivo. Era o extravasamento dos grandes capitais saturados do mercado europeu. Diferentemente da dominação econômica na América Latina na mesma época, aquela dominação na Ásia acontecia muitas vezes acompanhada de dominação político-militar. Mais do que a África - que não tinha um grande mercado consumidor, mas sim muitas matérias-primas–, a Ásia era o principal objetivo da expansão européia, já que lá havia um grande mercado consumidor, com uma população muito grande e economias mais complexas do que as africanas.
A presença na Ásia: Os países imperialistas na Ásia: As principais potências européias que se encontravam na África estavam também presentes na Ásia, como Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha. Mas outras potências também estavam lá: é o caso da Holanda, que desde tempos do antigo colonialismo, domina a Indonésia; o Japão, que a partir da Guerra russo-japonesa de 1905 inicia a sua expansão imperialista; os EUA, que chegaram atrasados no Imperialismo em 1898 e só tinham territórios na Ásia; e ainda a Rússia,que exercia uma dominação que não se caracterizava muito bem como imperialista.
 

IMPERIALISMO-II

História do Imperialismo e Neocolonialismo 

Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, FrançaAlemanhaBélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes. 
Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo. 
Na verdade, o que estes países realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos.   
Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885 foi realizado o Congresso de Berlim. Neste encontro, os países europeus imperialistas organizaram e estabeleceram regras para a exploração da África. Na divisão territorial que fizeram, a cultura e as diferenças étnicas dos povos africanos não foram respeitadas.
Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente. O governo dos Estados Unidos, que já colonizava a América Latina, ao perceber a importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o território, que, até então, era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas espanholas tiveram que ceder lugar às tropas norte-americanas. Em 1898, as tropas espanholas foram novamente vencidas pelas norte-americanas, e, desta vez, a Espanha teve que ceder as Filipinas aos Estados Unidos. 
Um outro ponto importante a se estudar sobre o neocolonialismo, é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Esta guerra foi iniciada pelos ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de ser derrotada pelas tropas britânicas, a China, foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas as clausulas. A dominação britânica foi marcante por sua crueldade e só teve fim no ano de 1949, ano da revolução comunista na China. 
Como conclusão, pode-se afirmar que os colonialistas do século XIX, só se interessavam pelo lucro que eles obtinham através do trabalho que os habitantes das colônias prestavam para eles. Eles não se importavam com as condições de trabalho e tampouco se os nativos iriam ou não sobreviver a esta forma de exploração desumana e capitalista. Foi somente no século XX que as colônias conseguiram suas independências, porém herdaram dos europeus uma série de conflitos e países marcados pela exploração, subdesenvolvimento e dificuldades políticas.
Texto:  Imperialismo na África 
Na segunda metade do século XIX, a África foi colonizada e explorada por nações europeias, principalmente, Reino Unido, França, Holanda, Bélgica e Alemanha. Este período ficou conhecido como neocolonialismo.
Como a Europa passava pelo processo de Revolução Industrial, necessitava de matérias-primas e novos mercado consumidores para as mercadorias produzidas pelas indústrias europeias. Uma solução encontrada foi a exploração de regiões da Ásia e África. O continente africano foi “repartido” entre os paises europeus que implantaram um sistema imperialista, desrespeitando a cultura e diversidade étnica na região.
 O imperialismo na África teve as seguintes características:

- Os países europeus forçaram os povos africanos a seguirem aspectos culturais europeus, justificando que estavam levando o progresso e a ciência para o continente;
- A superioridade militar europeia foi usada para dominar e evitar revoltas e manifestações populares;
- Os europeus praticamente obrigaram os africanos a consumirem os produtos fabricados nas indústrias europeias;
- O território da África foi dividido entre as nações europeias, ignorando os povos que ali viviam;
- Os europeus exploraram os recursos naturais (principalmente minérios) do solo da África, sem que os africanos tivessem qualquer benefício neste processo;

Resultados do neocolonialismo e imperialismo na África

O imperialismo aplicado pelos europeus na África na segunda metade do século XIX, deixou feridas no continente até os dias de hoje. Além de explorar os recursos naturais, o imperialismo provocou graves conflitos étnicos na África. A cultura africana também foi muito prejudicada neste processo.
 
Texto 3: Imperialismo na Ásia
Na Índia, a presença britânica também figurava como uma das maiores potências coloniais da região. Após a vitória na Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), a Inglaterra conseguiu formar um vasto império marcado por uma pesada imposição de sua estrutura político-administrativa. A opressão inglesa foi alvo de uma revolta nativa que se deflagrou na Guerra dos Sipaios, ocorrida entre 1735 e 1741. Para contornar a situação, a Coroa Inglesa transformou a colônia indiana em parte do Império Britânico.

Resistindo historicamente ao processo de ocupação, desde o século XVI, o Japão conseguiu impedir por séculos a dominação de seus territórios. Somente na segunda metade do século XIX, que as tropas militares estadunidenses conseguiram forçar a abertura econômica japonesa. Com a entrada dos valores e conceitos da cultura ocidental no Japão, ocorreu uma reforma político-econômica que industrializou a economia e as instituições do país. Tal fato ficou conhecido como a Revolução Meiji.

Com tais reformas, o Japão saiu de sua condição econômica feudal para inserir-se nas disputas imperialistas. Em 1894, os japoneses declararam guerra à China e passaram a controlar a região da Manchúria. Igualmente interessados na exploração da mesma região, os russos disputaram a região chinesa na Guerra Russo-Japonesa, de 1904. Após confirmar a dominação sob a Manchúria, os japoneses também disputaram regiões do oceano Pacífico com os EUA, o que acarretou em conflitos entre essas potências, entre as décadas de 1930 e 1940.

http://manonivas.blogspot.com.br/2013/04/texto-imperialismo-e-neocolonialismo.html

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-I

Ao iniciar o século XX, o avanço do capitalismo, agora na fase monopolista ou financeira, provocou uma desigualdade entre as nações européias. A disputa por novas áreas, por novos mercados, pela hegemonia do continente acabou por causar uma grande guerra, que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial.
 

POR QUE ACONTECEU A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

 
a) Disputas imperialistas entre a Inglaterra e a Alemanha.
 
b) Revanchismo francês – A França desejava recuperar os territórios Alsácia-Lorena, perdidos em 1871, na Guerra Franco-prussiana.
 
c) Os Incidentes nos Bálcãs – A Áustria anexou as províncias turcas da Bósnia e da Herzegovina, provocando reação da Rússia e da Sérvia.
 
d) Os Incidentes no Marrocos – O Marrocos, país semibárbaro governado por um sultão, era cobiçado pela França que já conquistara a Argélia. Assinou acordo com a Inglaterra, dona de Gibraltar, e com a Espanha, que dominava algumas praças ao Norte de Marrocos. O kaiser Guilherme II impediu a penetração francesa, proclamando a liberdade do Marrocos. A Alemanha acabou reconhecendo o direito dos franceses de estabelecer seu protetorado ao Marrocos. Franceses e alemães estavam descontentes com a situação.
 
e) Causa imediata (estopim) – O Assassinato do Príncipe Francisco Ferdinando (28/06/1914) – herdeiro do trono austríaco. Foi assassinado por um fanático estudante bosníano, Gravilo Princip, na cidade de Serajevo. A Áustria -Hungria exigiu uma satisfação da Sérvia, onde o crime fora tramado, por meio de um ultimato. A Rússia, decidida a não admitir uma humilhação à Sérvia, rejeitou as propostas conciliatórias da Alemanha e decretou a mobilização geral. A Alemanha, aliada da Áustria, declarou guerra à Rússia no dia 1.o de agosto e, dois dias depois, à França. Tinha inicio a Primeira Guerra Mundial.
 

POLÍTICA DE ALIANÇAS

 
Foi celebrada uma aliança defensiva entre a Alemanha e o Império Austro-húngaro em 1879. Com a entrada da Itália em 1882, surgiu a “Tríplice Aliança”.
 
1907, formou-se a “Triple Entente”, constituída pela Inglaterra, Rússia e França. A Inglaterra estava preocupada com o crescimento econômico da Alemanha e com o desenvolvimento da marinha alemã, que ameaçava sua soberania marítima. A “Triple Entente”, assinada por Eduardo VII, da Inglaterra, iniciou a política de cerco à Alemanha.
 

PAZ ARMADA

 
Desde o fim do século XIX até 1914, as nações européias fortaleceram-se, aumentando seu poderio bélico. Uma verdadeira corrida armamentista foi alimentando os países. Eles estavam em paz, mas ao mesmo tempo reforçando-se, armando-se para o grande conflito.
 

FASES DA GUERRA

 
a) Guerra do Movimento (1914) – Os alemães começaram a luta com um ataque à Bélgica, neutra, marchando depois rumo a Paris. O plano francês era invadir Alsácia e Lorena e proteger a fronteira belga; os alemães atacaram Liège. Na batalha do Marne os alemães foram derrotados pelo general Joffre, obrigando-os a retroceder para Leste, depois de perderem milhares de soldados e armamentos. Essa batalha salvou momentaneamente a França. Mas os alemães, não podendo levar avante a investida inicial, firmaram-se no Nordeste da França, abrindo trincheiras, como o fizeram também os franceses, os ingleses e os belgas.
 
b) Guerra de Trincheiras (1915-1917) – Abriram-se trincheiras em toda a frente ocidental. O armamento e o aparelhamento aéreo despertaram um novo surto industrial acelerado. Novas armas apareceram. Em 1916, os alemães atacaram Verdun, defendida pelo general Pétain. Foi um insucesso dos alemães. Morreram cerca de 600 mil homens. Na batalha naval da Jutlândia, os ingleses foram os vencedores.
 
c) Saída da Rússia – Com o triunfo da Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques estabeleceram-se no poder, foi assinado um acordo com a Alemanha para oficializar sua retirada do grande conflito. Este acordo chamou-se Tratado de Brest-Litovsk, que impôs duras condições para a Rússia.
 
d) Entrada dos Estados Unidos – Os norte-americanos tinham muito investimentos nesta guerra com seus amigos aliados (Inglaterra e França). Era preciso garantir o recebimento de tais investimentos. Utilizou-se como pretexto o afundamento do navio “Lusitânia”, que conduzia passageiros norte-americanos.
 
e) Participação do Brasil – Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro “Paraná” foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio “Macau”, o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica.
 

CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA

 
a) O aparecimento de novas nações.
 
b) Desmembramento do império Austro- Húngaro.
 
c) A hegemonia do militarismo francês, em decorrência do desarmamento alemão.
 
d) A Inglaterra dividiu sua hegemonia marítima com os Estados Unidos.
 
e) O enriquecimento dos Estados Unidos.
 
f) A depreciação do marco alemão, que baixou à milionésima parte do valor, e a baixa do franco e do dólar.
 
g) A crise de 1929: os governos tiveram que intervir na economia com medidas severas.
 
h) O protecionismo que impossibilitou a Alemanha de pagar suas dívidas por meio de exportação.
 
i) O encarecimento do custo de vida.
 

TRATADO DE VERSALHES (1919)

 
Em Versalhes, em 1919, reuniu-se a Conferência da Paz, sob a liderança dos 4 grandes: Clemenceau, representante da França; Lloyd George, representante da Inglaterra; Woodrow Wilson, representante dos Estados Unidos; e Orlando, representante da Itália. Este tratado impôs duras determinações aos alemães.
 

LIGA DAS NAÇÕES

 
Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, lançou a ideia de abolir a “diplomacia em segredo” e de unir os povos com o intuito de evitar uma nova guerra, numa Liga das Nações que tinha os seguintes princípios fundamentais:
 
a) Autonomia dos povos.
 
b) Renúncia à política de alianças.
 
c) Governo de acordo com os governados.
 
d) Liberdade dos mares.
 
e) Desarmamento geral.
 
Genebra passava a ser a sede da Liga das Nações.
 
 


PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-II

 
Está guerra recebeu esse nome porque pela primeira vez na história um conflito envolveu quase todo o planeta se justifica pelas proporções bélicas e pela destruição devastadora causada pelas novas tecnologias.
 
Motivações para o conflito
 
Fortalecimento da Alemanha:  A partir de 1871 com a unificação Alemã, o pais passa por um rápido processo de industrialização, o que fortalece o nacionalismos e o II Reich ( Império), chegando a concorrer com a indústria inglesa em seu próprio território. 
 
Rivalidade Neocolonial:  a rivalidade entre as potencias imperialistas se acirra com a distribuição de territórios na Ásia, África e Oceania, uma vez que necessitavam de novos mercados e matéria prima, somado ao crescimento demográfico em 1850.
 
França x Alemanha :  O revanchismo francês cresce após a perda do território da Alcácia-Lorena para os alemães em 1870, região rica em minério.
 
Pan-eslavismo Russo: Os russos tinham sonhos imperialistas e desejavam reunir os povos eslavos sob a proteção da mãe Rússia.
 
Expansionismo Sérvio :  A Sérvia que a havia conseguido sua independência  a pouco tempo (1878).  Queria expandir seu território e reivindicava a província da Bósnia-Herzegovina então em poder do Império austro-húngaro.
 

 
Toda essa gama (sucessão) de rivalidades conduziu a formação de alianças já no final do século XIX. Elas ficaram constituídas em dois blocos. Este período ficou conhecido como paz armada. Pois as potencias começaram a investir em armamento, mais sem chegar ao conflito de fato.
 
Tríplice Aliança: Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália (em 1915 ela passa para o lado da Entente, pois recebeu a promessa de territórios austríacos).
 
Tríplice Entente ( acordo, aliança, entendimento) : Inglaterra, França e Rússia
 
Inicio da Guerra
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs.
O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia. Em 29 de julho , a Rússia mobiliza seu exército em apoio a Servia, o que gera a reação Alemã, que declara guerra aos russos em 1º de agosto.
Mais a Alemanha queria mais, e juntamente como os austríacos invadem  a Bélgica ( neutra) em 4 de agosto, com a intenção de atacar a França, levando a Inglaterra a declarar guerra à Alemanha em 5 de agosto.
As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território.
A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, metralhadoras, lança-chamas, projéteis, granadas. Pela primeira vez em uma guerra foram utilizados como recursos militares  aviões e o submarino. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.
 
Fim do conflito
Em 1917, a Rússia foi abalada por uma Revolução que acabou instituindo o regime socialista nesse país. Para resolver seus problemas internos a Rússia retirou-se da guerra e posteriormente tomou a decisão de firmar a paz com os alemães. 
 
Em abril do mesmo ano ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Após navios americanos serem afundados por submarinos alemães em águas internacionais, o que levou o presidente Woodrow Wilsoin declarou guerra a Alemanha. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. A derrota destes países poderia representar prejuízo aos estadunidenses.  
 
Entre março e junho de 1918 os alemães lançaram mão de todo seu poderio militar contra a Entente, sob intenso fogo do inimigo os alemães começaram a perder aliados. No segundo semestre de 1918 a Alemanha estava sozinha e sua situação tornou-se insustentável, isolada e sem condições de manter-se na guerra acabou assinando um armistício (acordo de paz, trégua) , no dia 11 de novembro de 1918, em situação bastante desvantajosa.
 
Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições.
A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada,  perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores (33 bilhões). O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
 
Consequências da Guerra
O conjunto de decisões impostas a Alemanha provocou sentimento de ódio, pois os alemães consideraram injustas, vingativas e humilhantes as condições do Tratado de Versalhes. E isto contribuiu para a eclosão de outro terrível conflito, a Segunda Guerra Mundial.
A guerra marcou também o surgimento de diversos novos países, como a Iugoslávia, a Hungria, Tchecoslováquia e a Polônia.
A Grande Guerra deixou 9 milhões de mortos e 40 mil feridos e mutilados; Aparecimento de regimes políticos autoritários como o nazismo e o fascismo.; Criação das Ligas das Nações em 28 de abril de 1919.