REPÚBLICA NO BRASIL-I
REPÚBLICA
NO BRASIL - I
Podemos definir República como o exercício
da liberdade de ação [política] voltada para o bem público, o bem comum. No
Brasil, a tradição republicana encontra-se nos movimentos emancipacionistas
desde o final do século XVIII [Inconfidência Mineira, 1789 e Conjuração Baiana,
1798] e do século XIX [Insurreição Pernambucana, 1817; Confederação do Equador,
1824; Revolução Farroupilha, 1835-45; Revolução Praieira, 1848]; como ideia
principal a necessidade de estabelecer um Estado e um governo sem a presença da
família Real Portuguesa, isto é, buscar a constituição efetiva e concreta de um
Estado Nacional Brasileiro.
A Proclamação da República, em 15 de
novembro de 1889, foi mais um movimento de descontentamento formado por setores
das elites agrárias das províncias (principalmente cafeicultores paulistas),
setores médios das cidades (jornalistas, advogados, médicos, estudantes) e os
militares, em especial do Exército. Os interesses eram diversos, mas convergiam
no ponto de que a monarquia não era mais adequada para garantir direitos e
privilégios.
1.
Governo Provisório – 1889/1891
Imediatamente
após a Proclamação instituiu-se um governo provisório chefiado pelo Marechal
Deodoro da Fonseca. As primeiras medidas foram:
-
destituição de todos os Presidentes das ex-províncias e dissolução das Assembleias
[provinciais], das Câmaras Municipais [centros de poder local] e do Conselho de
Estado;
-
transformação das províncias em estados [a semelhança dos EUA];
-
convocação da Assembleia Constituinte, 22/6/1890 [houve pressões tanto do Mal.
Deodoro da Fonseca quanto de cafeicultores e positivistas, que não desejavam
uma nova Constituição].
Durante a Assembleia Constituinte as discussões
foram conflituosas entre os grupos republicanos. O que prevaleceu no texto
constitucional foram os princípios Liberais.
Esse texto foi promulgado [aprovado pela
Assembleia] em 24/2/1891 estabeleceu, em suas disposições transitórias, que as
eleições indiretas para a Presidência e Vice-Presidência. Os candidatos se apresentaram e as pressões políticas
e ameaças aos deputados foram muitas até a eleição do Mal. Deodoro da Fonseca
para Presidência [de uma chapa] e o Mal. Floriano Peixoto para Vice [de outra
chapa].
Outros pontos aprovados foram: estabeleceu
o Federalismo [autonomia política e administrativa dos estados] e o Presidencialismo,
sufrágio não secreto [voto aberto], sistema bicameral [Senado e Câmara dos
Deputados, em nível Federal], eleições diretas [escolha direta dos cargos
eletivos: presidente da República, presidente de estado, senadores, deputados
federais e estaduais, prefeitos e vereadores].
2.
Governo de Deodoro – 1891 [24/1 e 23/12]
O governo de Deodoro foi marcado por muita
instabilidade política e o acirramento dos conflitos entre os grupos
republicanos e setores populares. Isso foi agravado pela intervenção nos estados
para eliminar oposições, a decretação do Estado de Sítio para reprimir as
oposições; e a tentativa de estabelecimento de uma Ditadura. Além disso, a
política econômica adotada, conhecida por Encilhamento [adoção de Medidas para
aumentar o crédito e o investimento na produção e no comércio], provocou a emissão
de moeda sem lastro e a especulação financeira, que resultou em inflação crescente,
que chegou a 89,9% em 1891 [em 1889 estava em 1,1 %] e falências generalizadas.
O resultado foi a renúncia de Deodoro.
3.
Governo de Floriano – 1891/1894
O governo de Floriano Peixoto foi marcado
pela centralização e fortalecimento do Poder Executivo, medidas a favor da
maioria da população, em especial na capital, Rio de Janeiro pelos conflitos
entre grupos radicais [“jacobinos”] e portugueses [considerados monarquistas] e
apoio de cafeicultores paulistas [recursos financeiros e força armada].
Porém, o governo enfrentou oposições
acirradas em alguns estados e na Marinha. Entre 1893 1895 ocorreram a Revolta
Federalista [1893-1895, RS/SC], que opuseram setores oligárquicos apoiadores de
Floriano, os positivistas/centralistas (pica-paus)
contra os setores LIBERAIS/FEDERALISTAS (maragatos);
e Revolta da Armada – [1893], liderada pelo Almirante Custódio de Melo, contra
as medidas do governo de Floriano.
4.
Propostas Republicanas
Durante a constituição da República
ocorreram debates entre os apoiadores de três propostas:
- POSITIVISTA: o governo deve ser
centralizado e forte para manter a ordem e permitir o progresso; a
fundamentação encontra-se no Pensamento Iluminista, mas estabelece a
necessidade de uma Ditadura efetiva orientada por aqueles que são considerados POSITIVISTAS
e pelos Empresários; no contexto brasileiro, o grupo ideal a concretizar um
projeto positivista é o militar [ordem].
- JACOBINO: sob influência das ideias
radicais dos JACOBINOS franceses [REVOLUÇÃO FRANCESA], agem para estabelecer um
governo com participação popular e representatividade direta, mas aproximam-se
de Floriano Peixoto e apoiam as medidas centralizadoras e de fortalecimento do
Poder Executivo.
- LIBERAL-FEDERALISTA: sob influência do
ideário LIBERAL de vertente estadudinense, apoiaram propostas federalistas
[descentralização/autonomia política e administrativa] e da garantia das
liberdades individuais e da propriedade privada; prevalece no texto
Constitucional de 1891 com as devidas adaptações ao contexto brasileiro.
5.
República Oligárquica – 1894-1930
A maior parte da população brasileira vivia
no campo [estima-se em 70% da população economicamente ativa, PEA]; eram
naturais do Brasil e imigrantes que trabalhavam em troca de algum rendimento ou
eram arrendatários. Havia carência de condições de saúde e higiene, de educação
e estavam sujeitos aos interesses dos donos de terras.
Nas cidades crescia o contingente de
trabalhadores nas indústrias e dos setores médios ligados às atividades de
prestação de serviços. O maior crescimento observava-se em São Paulo e Rio de
Janeiro. Nelas, as transformações eram aceleradas: avenidas eram abertas;
lojas, restaurantes, cafés e teatros em estilo europeu eram construídas;
o tráfego de bondes e, depois, carros, acelera a vida; enquanto cresciam os
bairros operários distantes dos centros “chics”.
Nesse cenário as relações sociais e
políticas garantiam o poder das oligarquias e a exclusão da maioria da
população das decisões políticas e administrativas.
Dois partidos destacavam-se: o Partido
Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro. Todos os acordos
políticos passavam pelas mãos desses partidos de maneira a considerarem que a
política do período era “Café com Leite”.
Sabemos hoje que nem todos os presidentes da República eleitos eram
paulistas ou mineiros, porém todos tinham o apoio de um desses partidos ou de
ambos.
A manutenção das oligarquias no poder tanto
em nível Federal quanto no Estadual dependia de acordos mútuos, que ficaram
conhecidos como Política dos Governadores, ou dos Estados. A concretização
desse mecanismo de poder ocorreu no governo de Campos Sales [1898-1902] e
podemos caracterizá-la da seguinte maneira:
-
equilíbrio entre as instâncias [poder público municipal, estadual e federal] de
poder e as oligarquias;
-
submeter as camadas populares e afastar as oposições;
-
estabelecimento de uma hierarquia entre as instâncias de poder e os mecanismos
de exclusão;
-
troca de favores: apoios políticos [eleições e aprovação de leis nas câmaras
legislativas] e verbas públicas;
-
instituiu-se a Comissão de Verificação de Poderes: regulamentação dos
“diplomas” dos deputados com intuito de validar a posse dos eleitos.
Além disso, podemos caracterizar o quadro
político do período com elementos herdados da colonização portuguesa e do
Império: Privatização do Público [patrimonialismo – o uso dos bens públicos em
benefício de interesses particulares]; a Ideologia do Favor e o Clientelismo [a
troca de favores entre quem detinha o poder e pessoas das camadas populares,
além de estabelecimento de “uma rede” de favores em órgãos públicos]; e o Mandonismo
[o exercício do poder nos municípios sem levar em conta a lei]. Costumamos nos
referir a essas práticas políticas como CORONELISMO [controle político de
latifundiários e outros com poder
econômico nos municípios; uso da coação física e da troca de favores – “voto de
cabresto”, “curral eleitoral”].
IMPERIALISMO-I
IMPERIALISMO (1870-1914), uma definição: É o movimento do grande capital
financeiro europeu em busca de novos mercados tanto na Ásia, África e na
América Latina. Os Estados europeus eram o grande instrumento desse movimento,
em que em alguns casos, houve ocupação militar e em outros, apenas entrada de
capitais. O Imperialismo teve a sua arrancada com a crise e superprodução
de1873, que leva o grande capital europeu a buscar novos mercados,
matérias-primas e escoadouros para o excesso de capital na Europa. Não é à toa
que a presença das empresas é maior que a dos governos nas colônias
imperialistas.
O
Imperialismo na África: Quadro geral da África antes do Imperialismo: O
continente é diverso antes das incursões europeias. Na região mediterrânea,
existia o grande e decadente Império turco-otomano. Outras regiões litorâneas
da África foram colonizadas desde os tempos do velho colonialismo, como Angola
e África do Sul. Mas a maior parte da África não tinha qualquer dominação
estrangeira, tendo a sua lógica geopolítica e social própria.
Justificativa
ideológica do Imperialismo: Os países europeus davam várias desculpas para
legitimar e explicar a invasão dessas regiões. As principais eram: a missão
civilizatória feita por povos civilizados sobre os povos bárbaros, a divisão
das riquezas materiais do mundo, a evangelização cristã de povos que não
conheciam a verdadeira religião e a superioridade racial dos povos brancos
sobre os povos “preto e amarelo”.
A divisão
da África:
Na colonização da África, feita antes da asiática, apenas os povos europeus
participaram. Os principais certamente eram Inglaterra e França, que dominavam
a maior parte do continente. A Alemanha, também importante, chegou atrasada na
corrida imperialista, por isso, não conseguiu muitos e bons territórios.
Portugal e Itália foram convidados pela Inglaterra a participar da corrida para
que a França não dominasse regiões muito vastas e para constituírem
estados-tampões entre territórios britânicos e franceses, grandes rivais na
corrida imperialista.
Consequências da dominação para os
africanos: Os povos da África foram deslocados de suas terras para dar lugar a
minas e plantations exportadoras, onde ainda tinham que trabalhar em condições
lastimáveis e, muitas vezes, em regimes compulsórios. A produção de alimentos
em todo o continente foi completamente desorganizada, dando início aos sérios
problemas de fome que remetem às fomes vividas hoje em dia. Os europeus ainda
cobravam impostos em dinheiro dos africanos em economias não- monetárias,
obrigando os africanos a trabalharem, muitas vezes para os europeus, para
poderem pagar os impostos. As culturas africanas foram consideradas inferiores
e cultura e línguas europeias foram impostas aos povos dominados. Havia, ainda,
em muitas regiões um sistema de discriminação racial, o apartheid – como na
África do Sul– que considerava os africanos seres humanos de segunda classe.
Parâmetros
do Imperialismo na Ásia: Assim como na África, o Imperialismo na Ásia
tinha o mesmo motivo e objetivo. Era o extravasamento dos grandes capitais
saturados do mercado europeu. Diferentemente da dominação econômica na América
Latina na mesma época, aquela dominação na Ásia acontecia muitas vezes
acompanhada de dominação político-militar. Mais do que a África - que não tinha
um grande mercado consumidor, mas sim muitas matérias-primas–, a Ásia era o
principal objetivo da expansão européia, já que lá havia um grande mercado
consumidor, com uma população muito grande e economias mais complexas do que as
africanas.
A presença
na Ásia:
Os países imperialistas na Ásia: As principais potências européias que se
encontravam na África estavam também presentes na Ásia, como Inglaterra,
França, Bélgica e Alemanha. Mas outras potências também estavam lá: é o caso da
Holanda, que desde tempos do antigo colonialismo, domina a Indonésia; o Japão,
que a partir da Guerra russo-japonesa de 1905 inicia a sua expansão
imperialista; os EUA, que chegaram atrasados no Imperialismo em 1898 e só
tinham territórios na Ásia; e ainda a Rússia,que exercia uma dominação que não
se caracterizava muito bem como imperialista.
IMPERIALISMO-II
História do Imperialismo e Neocolonialismo
Na segunda metade do século XIX, países europeus
como a Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica e Itália,
eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados
Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos
estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em
formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para
outros continentes.
Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e
também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se
dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito
diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a
divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX
usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao
mundo.
Na verdade, o que estes países realmente queriam
era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em busca de
locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia. Os países escolhidos foram
colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o
ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram
entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as
diferenças éticas e culturais destes povos.
Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885 foi
realizado o Congresso de Berlim. Neste encontro, os países europeus
imperialistas organizaram e estabeleceram regras para a exploração da África. Na
divisão territorial que fizeram, a cultura e as diferenças étnicas dos povos
africanos não foram respeitadas.
Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os
colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente. O governo
dos Estados Unidos, que já colonizava a América Latina, ao perceber a
importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o território, que, até então,
era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas espanholas tiveram
que ceder lugar às tropas norte-americanas. Em 1898, as tropas espanholas foram
novamente vencidas pelas norte-americanas, e, desta vez, a Espanha teve
que ceder as Filipinas aos Estados Unidos.
Um outro ponto importante a se estudar sobre o
neocolonialismo, é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos
chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Esta guerra foi iniciada pelos
ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta
substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de
ser derrotada pelas tropas britânicas, a China,
foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas
as clausulas. A dominação britânica foi marcante por sua crueldade e só teve
fim no ano de 1949, ano da revolução comunista na China.
Como conclusão, pode-se afirmar que os
colonialistas do século XIX, só se interessavam pelo lucro que eles obtinham
através do trabalho que os habitantes das colônias prestavam para eles. Eles
não se importavam com as condições de trabalho e tampouco se os nativos iriam
ou não sobreviver a esta forma de exploração desumana e capitalista.
Foi somente no século XX que as colônias conseguiram suas independências, porém
herdaram dos europeus uma série de conflitos e países marcados pela exploração,
subdesenvolvimento e dificuldades políticas.
Texto:
Imperialismo na África
Na segunda metade do século XIX, a África foi
colonizada e explorada por nações europeias, principalmente, Reino Unido,
França, Holanda, Bélgica e Alemanha. Este período ficou conhecido como
neocolonialismo.
Como a Europa passava pelo processo de Revolução
Industrial, necessitava de matérias-primas e novos mercado consumidores para as
mercadorias produzidas pelas indústrias europeias. Uma solução encontrada foi a
exploração de regiões da Ásia e África. O continente africano foi “repartido”
entre os paises europeus que implantaram um sistema imperialista,
desrespeitando a cultura e diversidade étnica na região.
O imperialismo na África teve as seguintes características:
- Os países europeus forçaram os povos africanos a seguirem aspectos culturais
europeus, justificando que estavam levando o progresso e a ciência para o
continente;
- A superioridade militar europeia foi
usada para dominar e evitar revoltas e manifestações populares;
- Os europeus praticamente obrigaram os
africanos a consumirem os produtos fabricados nas indústrias europeias;
- O território da África foi dividido
entre as nações europeias, ignorando os povos que ali viviam;
- Os europeus exploraram os recursos naturais
(principalmente minérios) do solo da África, sem que os africanos tivessem
qualquer benefício neste processo;
Resultados do neocolonialismo e imperialismo na África
O imperialismo aplicado pelos europeus na África na segunda metade do século
XIX, deixou feridas no continente até os dias de hoje. Além de explorar os
recursos naturais, o imperialismo provocou graves conflitos étnicos na África.
A cultura africana também foi muito prejudicada neste processo.
Texto 3: Imperialismo na Ásia
Na
Índia, a presença britânica também figurava como uma das maiores potências
coloniais da região. Após a vitória na Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), a
Inglaterra conseguiu formar um vasto império marcado por uma pesada imposição
de sua estrutura político-administrativa. A opressão inglesa foi alvo de uma revolta
nativa que se deflagrou na Guerra dos Sipaios, ocorrida entre 1735 e 1741. Para
contornar a situação, a Coroa Inglesa transformou a colônia indiana em parte do
Império Britânico.
Resistindo historicamente ao processo de ocupação, desde o século XVI, o Japão
conseguiu impedir por séculos a dominação de seus territórios. Somente na
segunda metade do século XIX, que as tropas militares estadunidenses
conseguiram forçar a abertura econômica japonesa. Com a entrada dos valores e
conceitos da cultura ocidental no Japão, ocorreu uma reforma político-econômica
que industrializou a economia e as instituições do país. Tal fato ficou
conhecido como a Revolução Meiji.
Com tais reformas, o Japão saiu de sua condição econômica feudal para
inserir-se nas disputas imperialistas. Em 1894, os japoneses declararam guerra
à China e passaram a controlar a região da Manchúria. Igualmente interessados
na exploração da mesma região, os russos disputaram a região chinesa na Guerra
Russo-Japonesa, de 1904. Após confirmar a dominação sob a Manchúria, os
japoneses também disputaram regiões do oceano Pacífico com os EUA, o que
acarretou em conflitos entre essas potências, entre as décadas de 1930 e 1940.
http://manonivas.blogspot.com.br/2013/04/texto-imperialismo-e-neocolonialismo.html
PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-I
Ao iniciar o século XX, o avanço do capitalismo, agora na fase monopolista ou financeira, provocou uma desigualdade entre as nações européias. A disputa por novas áreas, por novos mercados, pela hegemonia do continente acabou por causar uma grande guerra, que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial.
POR QUE ACONTECEU A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL
a) Disputas imperialistas entre a Inglaterra e a Alemanha.
b) Revanchismo francês – A França desejava recuperar os territórios Alsácia-Lorena, perdidos em 1871, na Guerra Franco-prussiana.
c) Os Incidentes nos Bálcãs – A Áustria anexou as províncias turcas da Bósnia e da Herzegovina, provocando reação da Rússia e da Sérvia.
d) Os Incidentes no Marrocos – O Marrocos, país semibárbaro governado por um sultão, era cobiçado pela França que já conquistara a Argélia. Assinou acordo com a Inglaterra, dona de Gibraltar, e com a Espanha, que dominava algumas praças ao Norte de Marrocos. O kaiser Guilherme II impediu a penetração francesa, proclamando a liberdade do Marrocos. A Alemanha acabou reconhecendo o direito dos franceses de estabelecer seu protetorado ao Marrocos. Franceses e alemães estavam descontentes com a situação.
e) Causa imediata (estopim) – O Assassinato do Príncipe Francisco Ferdinando (28/06/1914) – herdeiro do trono austríaco. Foi assassinado por um fanático estudante bosníano, Gravilo Princip, na cidade de Serajevo. A Áustria -Hungria exigiu uma satisfação da Sérvia, onde o crime fora tramado, por meio de um ultimato. A Rússia, decidida a não admitir uma humilhação à Sérvia, rejeitou as propostas conciliatórias da Alemanha e decretou a mobilização geral. A Alemanha, aliada da Áustria, declarou guerra à Rússia no dia 1.o de agosto e, dois dias depois, à França. Tinha inicio a Primeira Guerra Mundial.
POLÍTICA DE ALIANÇAS
Foi celebrada uma aliança defensiva entre a Alemanha e o Império Austro-húngaro em 1879. Com a entrada da Itália em 1882, surgiu a “Tríplice Aliança”.
1907, formou-se a “Triple Entente”, constituída pela Inglaterra, Rússia e França. A Inglaterra estava preocupada com o crescimento econômico da Alemanha e com o desenvolvimento da marinha alemã, que ameaçava sua soberania marítima. A “Triple Entente”, assinada por Eduardo VII, da Inglaterra, iniciou a política de cerco à Alemanha.
PAZ ARMADA
Desde o fim do século XIX até 1914, as nações européias fortaleceram-se, aumentando seu poderio bélico. Uma verdadeira corrida armamentista foi alimentando os países. Eles estavam em paz, mas ao mesmo tempo reforçando-se, armando-se para o grande conflito.
FASES DA GUERRA
a) Guerra do Movimento (1914) – Os alemães começaram a luta com um ataque à Bélgica, neutra, marchando depois rumo a Paris. O plano francês era invadir Alsácia e Lorena e proteger a fronteira belga; os alemães atacaram Liège. Na batalha do Marne os alemães foram derrotados pelo general Joffre, obrigando-os a retroceder para Leste, depois de perderem milhares de soldados e armamentos. Essa batalha salvou momentaneamente a França. Mas os alemães, não podendo levar avante a investida inicial, firmaram-se no Nordeste da França, abrindo trincheiras, como o fizeram também os franceses, os ingleses e os belgas.
b) Guerra de Trincheiras (1915-1917) – Abriram-se trincheiras em toda a frente ocidental. O armamento e o aparelhamento aéreo despertaram um novo surto industrial acelerado. Novas armas apareceram. Em 1916, os alemães atacaram Verdun, defendida pelo general Pétain. Foi um insucesso dos alemães. Morreram cerca de 600 mil homens. Na batalha naval da Jutlândia, os ingleses foram os vencedores.
c) Saída da Rússia – Com o triunfo da Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques estabeleceram-se no poder, foi assinado um acordo com a Alemanha para oficializar sua retirada do grande conflito. Este acordo chamou-se Tratado de Brest-Litovsk, que impôs duras condições para a Rússia.
d) Entrada dos Estados Unidos – Os norte-americanos tinham muito investimentos nesta guerra com seus amigos aliados (Inglaterra e França). Era preciso garantir o recebimento de tais investimentos. Utilizou-se como pretexto o afundamento do navio “Lusitânia”, que conduzia passageiros norte-americanos.
e) Participação do Brasil – Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro “Paraná” foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio “Macau”, o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica.
CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA
a) O aparecimento de novas nações.
b) Desmembramento do império Austro- Húngaro.
c) A hegemonia do militarismo francês, em decorrência do desarmamento alemão.
d) A Inglaterra dividiu sua hegemonia marítima com os Estados Unidos.
e) O enriquecimento dos Estados Unidos.
f) A depreciação do marco alemão, que baixou à milionésima parte do valor, e a baixa do franco e do dólar.
g) A crise de 1929: os governos tiveram que intervir na economia com medidas severas.
h) O protecionismo que impossibilitou a Alemanha de pagar suas dívidas por meio de exportação.
i) O encarecimento do custo de vida.
TRATADO DE VERSALHES (1919)
Em Versalhes, em 1919, reuniu-se a Conferência da Paz, sob a liderança dos 4 grandes: Clemenceau, representante da França; Lloyd George, representante da Inglaterra; Woodrow Wilson, representante dos Estados Unidos; e Orlando, representante da Itália. Este tratado impôs duras determinações aos alemães.
LIGA DAS NAÇÕES
Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, lançou a ideia de abolir a “diplomacia em segredo” e de unir os povos com o intuito de evitar uma nova guerra, numa Liga das Nações que tinha os seguintes princípios fundamentais:
a) Autonomia dos povos.
b) Renúncia à política de alianças.
c) Governo de acordo com os governados.
d) Liberdade dos mares.
e) Desarmamento geral.
Genebra passava a ser a sede da Liga das Nações.
PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-II
Está guerra recebeu esse nome
porque pela primeira vez na história um conflito envolveu quase todo o planeta
se justifica pelas proporções bélicas e pela destruição devastadora causada
pelas novas tecnologias.
Motivações
para o conflito
Fortalecimento da Alemanha: A partir de 1871 com a
unificação Alemã, o pais passa por um rápido processo de industrialização, o
que fortalece o nacionalismos e o II Reich ( Império), chegando a concorrer com
a indústria inglesa em seu próprio território.
Rivalidade
Neocolonial: a rivalidade entre as potencias
imperialistas se acirra com a distribuição de territórios na Ásia, África e
Oceania, uma vez que necessitavam de novos mercados e matéria prima, somado ao
crescimento demográfico em 1850.
França x
Alemanha : O revanchismo francês cresce após a perda do
território da Alcácia-Lorena para os alemães em 1870, região rica em minério.
Pan-eslavismo
Russo: Os russos tinham sonhos imperialistas e
desejavam reunir os povos eslavos sob a proteção da mãe Rússia.
Expansionismo
Sérvio : A Sérvia que a havia conseguido
sua independência a pouco tempo (1878). Queria expandir seu
território e reivindicava a província da Bósnia-Herzegovina então em poder do
Império austro-húngaro.
Toda essa gama (sucessão) de
rivalidades conduziu a formação de alianças já no final do século XIX. Elas
ficaram constituídas em dois blocos. Este período ficou conhecido como paz
armada. Pois as potencias começaram a investir em armamento, mais sem chegar ao
conflito de fato.
Tríplice Aliança: Alemanha,
Império Austro-Húngaro e Itália (em 1915 ela passa para o lado da Entente, pois
recebeu a promessa de territórios austríacos).
Tríplice Entente ( acordo,
aliança, entendimento) : Inglaterra, França e Rússia
Inicio da
Guerra
O estopim deste conflito foi o
assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro,
durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao
criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário
a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs.
O império austro-húngaro não
aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28
de julho de 1914, declarou guerra à Servia. Em 29 de julho , a Rússia mobiliza
seu exército em apoio a Servia, o que gera a reação Alemã, que declara guerra
aos russos em 1º de agosto.
Mais a Alemanha queria mais, e
juntamente como os austríacos invadem a Bélgica ( neutra) em 4 de agosto,
com a intenção de atacar a França, levando a Inglaterra a declarar guerra à
Alemanha em 5 de agosto.
As batalhas desenvolveram-se
principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de
dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território.
A fome e as doenças também eram
os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas
tecnologias bélicas como, por exemplo,
metralhadoras, lança-chamas, projéteis, granadas. Pela primeira vez em uma
guerra foram utilizados como recursos militares aviões e o submarino.
Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas
indústrias bélicas como empregadas.
O Brasil também participou, enviando para
os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da
Tríplice Entente.
Fim do conflito
Em 1917, a
Rússia foi abalada por uma Revolução que acabou instituindo o regime socialista
nesse país. Para resolver seus problemas internos a Rússia retirou-se da guerra
e posteriormente tomou a decisão de firmar a paz com os alemães.
Em abril do mesmo ano ocorreu um
fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no
conflito. Após navios americanos serem afundados
por submarinos alemães em águas internacionais, o que levou o presidente
Woodrow Wilsoin declarou guerra a Alemanha. Os EUA entraram ao lado da Tríplice
Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com
Inglaterra e França. A derrota destes países poderia representar prejuízo aos
estadunidenses.
Entre março e
junho de 1918 os alemães lançaram mão de todo seu poderio militar contra a
Entente, sob intenso fogo do inimigo os alemães começaram a perder aliados. No
segundo semestre de 1918 a Alemanha estava sozinha e sua situação tornou-se
insustentável, isolada e sem condições de manter-se na guerra acabou assinando
um armistício (acordo de paz, trégua) , no dia 11 de novembro de 1918, em
situação bastante desvantajosa.
Os derrotados tiveram ainda que
assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes
restrições e punições.
A
Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada,
perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da
Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países
vencedores (33 bilhões). O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha,
influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
Consequências
da Guerra
O conjunto de
decisões impostas a Alemanha provocou sentimento de ódio, pois os alemães
consideraram injustas, vingativas e humilhantes as condições do Tratado de
Versalhes. E isto contribuiu para a eclosão de outro terrível conflito, a
Segunda Guerra Mundial.
A guerra marcou
também o surgimento de diversos novos países, como a Iugoslávia, a Hungria,
Tchecoslováquia e a Polônia.
A Grande Guerra deixou 9 milhões de mortos e 40 mil feridos e mutilados; Aparecimento
de regimes políticos autoritários como o nazismo e o fascismo.; Criação das Ligas das Nações em 28 de abril de 1919.