domingo, 26 de maio de 2013

TEXTOS DE APOIO

REPÚBLICA NO BRASIL-I


REPÚBLICA NO BRASIL - I


    Podemos definir República como o exercício da liberdade de ação [política] voltada para o bem público, o bem comum. No Brasil, a tradição republicana encontra-se nos movimentos emancipacionistas desde o final do século XVIII [Inconfidência Mineira, 1789 e Conjuração Baiana, 1798] e do século XIX [Insurreição Pernambucana, 1817; Confederação do Equador, 1824; Revolução Farroupilha, 1835-45; Revolução Praieira, 1848]; como ideia principal a necessidade de estabelecer um Estado e um governo sem a presença da família Real Portuguesa, isto é, buscar a constituição efetiva e concreta de um Estado Nacional Brasileiro.

     A Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, foi mais um movimento de descontentamento formado por setores das elites agrárias das províncias (principalmente cafeicultores paulistas), setores médios das cidades (jornalistas, advogados, médicos, estudantes) e os militares, em especial do Exército. Os interesses eram diversos, mas convergiam no ponto de que a monarquia não era mais adequada para garantir direitos e privilégios.

1. Governo Provisório – 1889/1891

     Imediatamente após a Proclamação instituiu-se um governo provisório chefiado pelo Marechal Deodoro da Fonseca. As primeiras medidas foram:

- destituição de todos os Presidentes das ex-províncias e dissolução das Assembleias [provinciais], das Câmaras Municipais [centros de poder local] e do Conselho de Estado;

- transformação das províncias em estados [a semelhança dos EUA];

- convocação da Assembleia Constituinte, 22/6/1890 [houve pressões tanto do Mal. Deodoro da Fonseca quanto de cafeicultores e positivistas, que não desejavam uma nova Constituição].

     Durante a Assembleia Constituinte as discussões foram conflituosas entre os grupos republicanos. O que prevaleceu no texto constitucional foram os princípios Liberais.

     Esse texto foi promulgado [aprovado pela Assembleia] em 24/2/1891 estabeleceu, em suas disposições transitórias, que as eleições indiretas para a Presidência e Vice-Presidência.  Os candidatos se apresentaram e as pressões políticas e ameaças aos deputados foram muitas até a eleição do Mal. Deodoro da Fonseca para Presidência [de uma chapa] e o Mal. Floriano Peixoto para Vice [de outra chapa].

     Outros pontos aprovados foram: estabeleceu o Federalismo [autonomia política e administrativa dos estados] e o Presidencialismo, sufrágio não secreto [voto aberto], sistema bicameral [Senado e Câmara dos Deputados, em nível Federal], eleições diretas [escolha direta dos cargos eletivos: presidente da República, presidente de estado, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores].

2. Governo de Deodoro – 1891 [24/1 e 23/12]

     O governo de Deodoro foi marcado por muita instabilidade política e o acirramento dos conflitos entre os grupos republicanos e setores populares. Isso foi agravado pela intervenção nos estados para eliminar oposições, a decretação do Estado de Sítio para reprimir as oposições; e a tentativa de estabelecimento de uma Ditadura. Além disso, a política econômica adotada, conhecida por Encilhamento [adoção de Medidas para aumentar o crédito e o investimento na produção e no comércio], provocou a emissão de moeda sem lastro e a especulação financeira, que resultou em inflação crescente, que chegou a 89,9% em 1891 [em 1889 estava em 1,1 %] e falências generalizadas. O resultado foi a renúncia de Deodoro.

3. Governo de Floriano – 1891/1894

    O governo de Floriano Peixoto foi marcado pela centralização e fortalecimento do Poder Executivo, medidas a favor da maioria da população, em especial na capital, Rio de Janeiro pelos conflitos entre grupos radicais [“jacobinos”] e portugueses [considerados monarquistas] e apoio de cafeicultores paulistas [recursos financeiros e força armada].

    Porém, o governo enfrentou oposições acirradas em alguns estados e na Marinha. Entre 1893 1895 ocorreram a Revolta Federalista [1893-1895, RS/SC], que opuseram setores oligárquicos apoiadores de Floriano, os positivistas/centralistas (pica-paus) contra os setores LIBERAIS/FEDERALISTAS (maragatos); e Revolta da Armada – [1893], liderada pelo Almirante Custódio de Melo, contra as medidas do governo de Floriano.

4. Propostas Republicanas

    Durante a constituição da República ocorreram debates entre os apoiadores de três propostas:

    - POSITIVISTA: o governo deve ser centralizado e forte para manter a ordem e permitir o progresso; a fundamentação encontra-se no Pensamento Iluminista, mas estabelece a necessidade de uma Ditadura efetiva orientada por aqueles que são considerados POSITIVISTAS e pelos Empresários; no contexto brasileiro, o grupo ideal a concretizar um projeto positivista é o militar [ordem].

    - JACOBINO: sob influência das ideias radicais dos JACOBINOS franceses [REVOLUÇÃO FRANCESA], agem para estabelecer um governo com participação popular e representatividade direta, mas aproximam-se de Floriano Peixoto e apoiam as medidas centralizadoras e de fortalecimento do Poder Executivo.

   - LIBERAL-FEDERALISTA: sob influência do ideário LIBERAL de vertente estadudinense, apoiaram propostas federalistas [descentralização/autonomia política e administrativa] e da garantia das liberdades individuais e da propriedade privada; prevalece no texto Constitucional de 1891 com as devidas adaptações ao contexto brasileiro.

5. República Oligárquica – 1894-1930

    A maior parte da população brasileira vivia no campo [estima-se em 70% da população economicamente ativa, PEA]; eram naturais do Brasil e imigrantes que trabalhavam em troca de algum rendimento ou eram arrendatários. Havia carência de condições de saúde e higiene, de educação e estavam sujeitos aos interesses dos donos de terras.

    Nas cidades crescia o contingente de trabalhadores nas indústrias e dos setores médios ligados às atividades de prestação de serviços. O maior crescimento observava-se em São Paulo e Rio de Janeiro. Nelas, as transformações eram aceleradas: avenidas  eram abertas;  lojas, restaurantes, cafés e teatros em estilo europeu eram construídas; o tráfego de bondes e, depois, carros, acelera a vida; enquanto cresciam os bairros operários distantes dos centros “chics”.

    Nesse cenário as relações sociais e políticas garantiam o poder das oligarquias e a exclusão da maioria da população das decisões políticas e administrativas.

    Dois partidos destacavam-se: o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro. Todos os acordos políticos passavam pelas mãos desses partidos de maneira a considerarem que a política do período era “Café com Leite”.  Sabemos hoje que nem todos os presidentes da República eleitos eram paulistas ou mineiros, porém todos tinham o apoio de um desses partidos ou de ambos.

    A manutenção das oligarquias no poder tanto em nível Federal quanto no Estadual dependia de acordos mútuos, que ficaram conhecidos como Política dos Governadores, ou dos Estados. A concretização desse mecanismo de poder ocorreu no governo de Campos Sales [1898-1902] e podemos caracterizá-la da seguinte maneira:

- equilíbrio entre as instâncias [poder público municipal, estadual e federal] de poder e as oligarquias;

- submeter as camadas populares e afastar as oposições;

- estabelecimento de uma hierarquia entre as instâncias de poder e os mecanismos de exclusão;

- troca de favores: apoios políticos [eleições e aprovação de leis nas câmaras legislativas] e verbas públicas;

- instituiu-se a Comissão de Verificação de Poderes: regulamentação dos “diplomas” dos deputados com intuito de validar a posse dos eleitos.

     Além disso, podemos caracterizar o quadro político do período com elementos herdados da colonização portuguesa e do Império: Privatização do Público [patrimonialismo – o uso dos bens públicos em benefício de interesses particulares]; a Ideologia do Favor e o Clientelismo [a troca de favores entre quem detinha o poder e pessoas das camadas populares, além de estabelecimento de “uma rede” de favores em órgãos públicos]; e o Mandonismo [o exercício do poder nos municípios sem levar em conta a lei]. Costumamos nos referir a essas práticas políticas como CORONELISMO [controle político de latifundiários e outros com  poder econômico nos municípios; uso da coação física e da troca de favores – “voto de cabresto”, “curral eleitoral”].

 

 IMPERIALISMO-I

 

IMPERIALISMO (1870-1914), uma definição: É o movimento do grande capital financeiro europeu em busca de novos mercados tanto na Ásia, África e na América Latina. Os Estados europeus eram o grande instrumento desse movimento, em que em alguns casos, houve ocupação militar e em outros, apenas entrada de capitais. O Imperialismo teve a sua arrancada com a crise e superprodução de1873, que leva o grande capital europeu a buscar novos mercados, matérias-primas e escoadouros para o excesso de capital na Europa. Não é à toa que a presença das empresas é maior que a dos governos nas colônias imperialistas.
O Imperialismo na África: Quadro geral da África antes do Imperialismo: O continente é diverso antes das incursões europeias. Na região mediterrânea, existia o grande e decadente Império turco-otomano. Outras regiões litorâneas da África foram colonizadas desde os tempos do velho colonialismo, como Angola e África do Sul. Mas a maior parte da África não tinha qualquer dominação estrangeira, tendo a sua lógica geopolítica e social própria.
Justificativa ideológica do Imperialismo: Os países europeus davam várias desculpas para legitimar e explicar a invasão dessas regiões. As principais eram: a missão civilizatória feita por povos civilizados sobre os povos bárbaros, a divisão das riquezas materiais do mundo, a evangelização cristã de povos que não conheciam a verdadeira religião e a superioridade racial dos povos brancos sobre os povos  “preto e amarelo”.
A divisão da África: Na colonização da África, feita antes da asiática, apenas os povos europeus participaram. Os principais certamente eram Inglaterra e França, que dominavam a maior parte do continente. A Alemanha, também importante, chegou atrasada na corrida imperialista, por isso, não conseguiu muitos e bons territórios. Portugal e Itália foram convidados pela Inglaterra a participar da corrida para que a França não dominasse regiões muito vastas e para constituírem estados-tampões entre territórios britânicos e franceses, grandes rivais na corrida imperialista.
Consequências da dominação para os africanos: Os povos da África foram deslocados de suas terras para dar lugar a minas e plantations exportadoras, onde ainda tinham que trabalhar em condições lastimáveis e, muitas vezes, em regimes compulsórios. A produção de alimentos em todo o continente foi completamente desorganizada, dando início aos sérios problemas de fome que remetem às fomes vividas hoje em dia. Os europeus ainda cobravam impostos em dinheiro dos africanos em economias não- monetárias, obrigando os africanos a trabalharem, muitas vezes para os europeus, para poderem pagar os impostos. As culturas africanas foram consideradas inferiores e cultura e línguas europeias foram impostas aos povos dominados. Havia, ainda, em muitas regiões um sistema de discriminação racial, o apartheid – como na África do Sul– que considerava os africanos seres humanos de segunda classe.
Parâmetros do Imperialismo na Ásia: Assim como na África, o Imperialismo na Ásia tinha o mesmo motivo e objetivo. Era o extravasamento dos grandes capitais saturados do mercado europeu. Diferentemente da dominação econômica na América Latina na mesma época, aquela dominação na Ásia acontecia muitas vezes acompanhada de dominação político-militar. Mais do que a África - que não tinha um grande mercado consumidor, mas sim muitas matérias-primas–, a Ásia era o principal objetivo da expansão européia, já que lá havia um grande mercado consumidor, com uma população muito grande e economias mais complexas do que as africanas.
A presença na Ásia: Os países imperialistas na Ásia: As principais potências européias que se encontravam na África estavam também presentes na Ásia, como Inglaterra, França, Bélgica e Alemanha. Mas outras potências também estavam lá: é o caso da Holanda, que desde tempos do antigo colonialismo, domina a Indonésia; o Japão, que a partir da Guerra russo-japonesa de 1905 inicia a sua expansão imperialista; os EUA, que chegaram atrasados no Imperialismo em 1898 e só tinham territórios na Ásia; e ainda a Rússia,que exercia uma dominação que não se caracterizava muito bem como imperialista.
 

IMPERIALISMO-II

História do Imperialismo e Neocolonialismo 

Na segunda metade do século XIX, países europeus como a Inglaterra, FrançaAlemanhaBélgica e Itália, eram considerados grandes potências industriais. Na América, eram os Estados Unidos quem apresentavam um grande desenvolvimento no campo industrial. Todos estes países exerceram atitudes imperialistas, pois estavam interessados em formar grandes impérios econômicos, levando suas áreas de influência para outros continentes. 
Com o objetivo de aumentarem sua margem de lucro e também de conseguirem um custo consideravelmente baixo, estes países se dirigiram à África, Ásia e Oceania, dominando e explorando estes povos. Não muito diferente do colonialismo dos séculos XV e XVI, que utilizou como desculpa a divulgação do cristianismo; o neocolonialismo do século XIX usou o argumento de levar o progresso da ciência e da tecnologia ao mundo. 
Na verdade, o que estes países realmente queriam era o reconhecimento industrial internacional, e, para isso, foram em busca de locais onde pudessem encontrar matérias primas e fontes de energia. Os países escolhidos foram colonizados e seus povos desrespeitados. Um exemplo deste desrespeito foi o ponto culminante da dominação neocolonialista, quando países europeus dividiram entre si os territórios africano e asiático, sem sequer levar em conta as diferenças éticas e culturais destes povos.   
Entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885 foi realizado o Congresso de Berlim. Neste encontro, os países europeus imperialistas organizaram e estabeleceram regras para a exploração da África. Na divisão territorial que fizeram, a cultura e as diferenças étnicas dos povos africanos não foram respeitadas.
Devido ao fato de possuírem os mesmo interesses, os colonizadores lutavam entre si para se sobressaírem comercialmente. O governo dos Estados Unidos, que já colonizava a América Latina, ao perceber a importância de Cuba no mercado mundial, invadiu o território, que, até então, era dominado pela Espanha. Após este confronto, as tropas espanholas tiveram que ceder lugar às tropas norte-americanas. Em 1898, as tropas espanholas foram novamente vencidas pelas norte-americanas, e, desta vez, a Espanha teve que ceder as Filipinas aos Estados Unidos. 
Um outro ponto importante a se estudar sobre o neocolonialismo, é à entrada dos ingleses na China, ocorrida após a derrota dos chineses durante a Guerra do Ópio (1840-1842). Esta guerra foi iniciada pelos ingleses após as autoridades chinesas, que já sabiam do mal causado por esta substância, terem queimado uma embarcação inglesa repleta de ópio. Depois de ser derrotada pelas tropas britânicas, a China, foi obrigada a assinar o Tratado de Nanquim, que favorecia os ingleses em todas as clausulas. A dominação britânica foi marcante por sua crueldade e só teve fim no ano de 1949, ano da revolução comunista na China. 
Como conclusão, pode-se afirmar que os colonialistas do século XIX, só se interessavam pelo lucro que eles obtinham através do trabalho que os habitantes das colônias prestavam para eles. Eles não se importavam com as condições de trabalho e tampouco se os nativos iriam ou não sobreviver a esta forma de exploração desumana e capitalista. Foi somente no século XX que as colônias conseguiram suas independências, porém herdaram dos europeus uma série de conflitos e países marcados pela exploração, subdesenvolvimento e dificuldades políticas.
Texto:  Imperialismo na África 
Na segunda metade do século XIX, a África foi colonizada e explorada por nações europeias, principalmente, Reino Unido, França, Holanda, Bélgica e Alemanha. Este período ficou conhecido como neocolonialismo.
Como a Europa passava pelo processo de Revolução Industrial, necessitava de matérias-primas e novos mercado consumidores para as mercadorias produzidas pelas indústrias europeias. Uma solução encontrada foi a exploração de regiões da Ásia e África. O continente africano foi “repartido” entre os paises europeus que implantaram um sistema imperialista, desrespeitando a cultura e diversidade étnica na região.
 O imperialismo na África teve as seguintes características:

- Os países europeus forçaram os povos africanos a seguirem aspectos culturais europeus, justificando que estavam levando o progresso e a ciência para o continente;
- A superioridade militar europeia foi usada para dominar e evitar revoltas e manifestações populares;
- Os europeus praticamente obrigaram os africanos a consumirem os produtos fabricados nas indústrias europeias;
- O território da África foi dividido entre as nações europeias, ignorando os povos que ali viviam;
- Os europeus exploraram os recursos naturais (principalmente minérios) do solo da África, sem que os africanos tivessem qualquer benefício neste processo;

Resultados do neocolonialismo e imperialismo na África

O imperialismo aplicado pelos europeus na África na segunda metade do século XIX, deixou feridas no continente até os dias de hoje. Além de explorar os recursos naturais, o imperialismo provocou graves conflitos étnicos na África. A cultura africana também foi muito prejudicada neste processo.
 
Texto 3: Imperialismo na Ásia
Na Índia, a presença britânica também figurava como uma das maiores potências coloniais da região. Após a vitória na Guerra dos Sete Anos (1756 – 1763), a Inglaterra conseguiu formar um vasto império marcado por uma pesada imposição de sua estrutura político-administrativa. A opressão inglesa foi alvo de uma revolta nativa que se deflagrou na Guerra dos Sipaios, ocorrida entre 1735 e 1741. Para contornar a situação, a Coroa Inglesa transformou a colônia indiana em parte do Império Britânico.

Resistindo historicamente ao processo de ocupação, desde o século XVI, o Japão conseguiu impedir por séculos a dominação de seus territórios. Somente na segunda metade do século XIX, que as tropas militares estadunidenses conseguiram forçar a abertura econômica japonesa. Com a entrada dos valores e conceitos da cultura ocidental no Japão, ocorreu uma reforma político-econômica que industrializou a economia e as instituições do país. Tal fato ficou conhecido como a Revolução Meiji.

Com tais reformas, o Japão saiu de sua condição econômica feudal para inserir-se nas disputas imperialistas. Em 1894, os japoneses declararam guerra à China e passaram a controlar a região da Manchúria. Igualmente interessados na exploração da mesma região, os russos disputaram a região chinesa na Guerra Russo-Japonesa, de 1904. Após confirmar a dominação sob a Manchúria, os japoneses também disputaram regiões do oceano Pacífico com os EUA, o que acarretou em conflitos entre essas potências, entre as décadas de 1930 e 1940.

http://manonivas.blogspot.com.br/2013/04/texto-imperialismo-e-neocolonialismo.html

PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-I

Ao iniciar o século XX, o avanço do capitalismo, agora na fase monopolista ou financeira, provocou uma desigualdade entre as nações européias. A disputa por novas áreas, por novos mercados, pela hegemonia do continente acabou por causar uma grande guerra, que ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial.
 

POR QUE ACONTECEU A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

 
a) Disputas imperialistas entre a Inglaterra e a Alemanha.
 
b) Revanchismo francês – A França desejava recuperar os territórios Alsácia-Lorena, perdidos em 1871, na Guerra Franco-prussiana.
 
c) Os Incidentes nos Bálcãs – A Áustria anexou as províncias turcas da Bósnia e da Herzegovina, provocando reação da Rússia e da Sérvia.
 
d) Os Incidentes no Marrocos – O Marrocos, país semibárbaro governado por um sultão, era cobiçado pela França que já conquistara a Argélia. Assinou acordo com a Inglaterra, dona de Gibraltar, e com a Espanha, que dominava algumas praças ao Norte de Marrocos. O kaiser Guilherme II impediu a penetração francesa, proclamando a liberdade do Marrocos. A Alemanha acabou reconhecendo o direito dos franceses de estabelecer seu protetorado ao Marrocos. Franceses e alemães estavam descontentes com a situação.
 
e) Causa imediata (estopim) – O Assassinato do Príncipe Francisco Ferdinando (28/06/1914) – herdeiro do trono austríaco. Foi assassinado por um fanático estudante bosníano, Gravilo Princip, na cidade de Serajevo. A Áustria -Hungria exigiu uma satisfação da Sérvia, onde o crime fora tramado, por meio de um ultimato. A Rússia, decidida a não admitir uma humilhação à Sérvia, rejeitou as propostas conciliatórias da Alemanha e decretou a mobilização geral. A Alemanha, aliada da Áustria, declarou guerra à Rússia no dia 1.o de agosto e, dois dias depois, à França. Tinha inicio a Primeira Guerra Mundial.
 

POLÍTICA DE ALIANÇAS

 
Foi celebrada uma aliança defensiva entre a Alemanha e o Império Austro-húngaro em 1879. Com a entrada da Itália em 1882, surgiu a “Tríplice Aliança”.
 
1907, formou-se a “Triple Entente”, constituída pela Inglaterra, Rússia e França. A Inglaterra estava preocupada com o crescimento econômico da Alemanha e com o desenvolvimento da marinha alemã, que ameaçava sua soberania marítima. A “Triple Entente”, assinada por Eduardo VII, da Inglaterra, iniciou a política de cerco à Alemanha.
 

PAZ ARMADA

 
Desde o fim do século XIX até 1914, as nações européias fortaleceram-se, aumentando seu poderio bélico. Uma verdadeira corrida armamentista foi alimentando os países. Eles estavam em paz, mas ao mesmo tempo reforçando-se, armando-se para o grande conflito.
 

FASES DA GUERRA

 
a) Guerra do Movimento (1914) – Os alemães começaram a luta com um ataque à Bélgica, neutra, marchando depois rumo a Paris. O plano francês era invadir Alsácia e Lorena e proteger a fronteira belga; os alemães atacaram Liège. Na batalha do Marne os alemães foram derrotados pelo general Joffre, obrigando-os a retroceder para Leste, depois de perderem milhares de soldados e armamentos. Essa batalha salvou momentaneamente a França. Mas os alemães, não podendo levar avante a investida inicial, firmaram-se no Nordeste da França, abrindo trincheiras, como o fizeram também os franceses, os ingleses e os belgas.
 
b) Guerra de Trincheiras (1915-1917) – Abriram-se trincheiras em toda a frente ocidental. O armamento e o aparelhamento aéreo despertaram um novo surto industrial acelerado. Novas armas apareceram. Em 1916, os alemães atacaram Verdun, defendida pelo general Pétain. Foi um insucesso dos alemães. Morreram cerca de 600 mil homens. Na batalha naval da Jutlândia, os ingleses foram os vencedores.
 
c) Saída da Rússia – Com o triunfo da Revolução Russa de 1917, onde os bolcheviques estabeleceram-se no poder, foi assinado um acordo com a Alemanha para oficializar sua retirada do grande conflito. Este acordo chamou-se Tratado de Brest-Litovsk, que impôs duras condições para a Rússia.
 
d) Entrada dos Estados Unidos – Os norte-americanos tinham muito investimentos nesta guerra com seus amigos aliados (Inglaterra e França). Era preciso garantir o recebimento de tais investimentos. Utilizou-se como pretexto o afundamento do navio “Lusitânia”, que conduzia passageiros norte-americanos.
 
e) Participação do Brasil – Os alemães, diante da superioridade naval da Inglaterra, resolveram empreender uma guerra submarina sem restrições. Na noite de 3 de abril de 1917, o navio brasileiro “Paraná” foi atacado pelos submarinos alemães perto de Barfleur, na França. O Brasil, presidido por Wenceslau Brás, rompeu as relações com Berlim e revogou sua neutralidade na guerra. Novos navios brasileiros foram afundados. No dia 25 de outubro, quando recebeu a noticia do afundamento do navio “Macau”, o Brasil declarou guerra à Alemanha. Enviou auxilio à esquadra inglesa no policiamento do Atlântico e uma missão médica.
 

CONSEQÜÊNCIAS DA GUERRA

 
a) O aparecimento de novas nações.
 
b) Desmembramento do império Austro- Húngaro.
 
c) A hegemonia do militarismo francês, em decorrência do desarmamento alemão.
 
d) A Inglaterra dividiu sua hegemonia marítima com os Estados Unidos.
 
e) O enriquecimento dos Estados Unidos.
 
f) A depreciação do marco alemão, que baixou à milionésima parte do valor, e a baixa do franco e do dólar.
 
g) A crise de 1929: os governos tiveram que intervir na economia com medidas severas.
 
h) O protecionismo que impossibilitou a Alemanha de pagar suas dívidas por meio de exportação.
 
i) O encarecimento do custo de vida.
 

TRATADO DE VERSALHES (1919)

 
Em Versalhes, em 1919, reuniu-se a Conferência da Paz, sob a liderança dos 4 grandes: Clemenceau, representante da França; Lloyd George, representante da Inglaterra; Woodrow Wilson, representante dos Estados Unidos; e Orlando, representante da Itália. Este tratado impôs duras determinações aos alemães.
 

LIGA DAS NAÇÕES

 
Woodrow Wilson, presidente dos Estados Unidos, lançou a ideia de abolir a “diplomacia em segredo” e de unir os povos com o intuito de evitar uma nova guerra, numa Liga das Nações que tinha os seguintes princípios fundamentais:
 
a) Autonomia dos povos.
 
b) Renúncia à política de alianças.
 
c) Governo de acordo com os governados.
 
d) Liberdade dos mares.
 
e) Desarmamento geral.
 
Genebra passava a ser a sede da Liga das Nações.
 
 


PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL-II

 
Está guerra recebeu esse nome porque pela primeira vez na história um conflito envolveu quase todo o planeta se justifica pelas proporções bélicas e pela destruição devastadora causada pelas novas tecnologias.
 
Motivações para o conflito
 
Fortalecimento da Alemanha:  A partir de 1871 com a unificação Alemã, o pais passa por um rápido processo de industrialização, o que fortalece o nacionalismos e o II Reich ( Império), chegando a concorrer com a indústria inglesa em seu próprio território. 
 
Rivalidade Neocolonial:  a rivalidade entre as potencias imperialistas se acirra com a distribuição de territórios na Ásia, África e Oceania, uma vez que necessitavam de novos mercados e matéria prima, somado ao crescimento demográfico em 1850.
 
França x Alemanha :  O revanchismo francês cresce após a perda do território da Alcácia-Lorena para os alemães em 1870, região rica em minério.
 
Pan-eslavismo Russo: Os russos tinham sonhos imperialistas e desejavam reunir os povos eslavos sob a proteção da mãe Rússia.
 
Expansionismo Sérvio :  A Sérvia que a havia conseguido sua independência  a pouco tempo (1878).  Queria expandir seu território e reivindicava a província da Bósnia-Herzegovina então em poder do Império austro-húngaro.
 

 
Toda essa gama (sucessão) de rivalidades conduziu a formação de alianças já no final do século XIX. Elas ficaram constituídas em dois blocos. Este período ficou conhecido como paz armada. Pois as potencias começaram a investir em armamento, mais sem chegar ao conflito de fato.
 
Tríplice Aliança: Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália (em 1915 ela passa para o lado da Entente, pois recebeu a promessa de territórios austríacos).
 
Tríplice Entente ( acordo, aliança, entendimento) : Inglaterra, França e Rússia
 
Inicio da Guerra
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs.
O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia. Em 29 de julho , a Rússia mobiliza seu exército em apoio a Servia, o que gera a reação Alemã, que declara guerra aos russos em 1º de agosto.
Mais a Alemanha queria mais, e juntamente como os austríacos invadem  a Bélgica ( neutra) em 4 de agosto, com a intenção de atacar a França, levando a Inglaterra a declarar guerra à Alemanha em 5 de agosto.
As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território.
A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, metralhadoras, lança-chamas, projéteis, granadas. Pela primeira vez em uma guerra foram utilizados como recursos militares  aviões e o submarino. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.
O Brasil também participou, enviando para os campos de batalha enfermeiros e medicamentos para ajudar os países da Tríplice Entente.
 
Fim do conflito
Em 1917, a Rússia foi abalada por uma Revolução que acabou instituindo o regime socialista nesse país. Para resolver seus problemas internos a Rússia retirou-se da guerra e posteriormente tomou a decisão de firmar a paz com os alemães. 
 
Em abril do mesmo ano ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Após navios americanos serem afundados por submarinos alemães em águas internacionais, o que levou o presidente Woodrow Wilsoin declarou guerra a Alemanha. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. A derrota destes países poderia representar prejuízo aos estadunidenses.  
 
Entre março e junho de 1918 os alemães lançaram mão de todo seu poderio militar contra a Entente, sob intenso fogo do inimigo os alemães começaram a perder aliados. No segundo semestre de 1918 a Alemanha estava sozinha e sua situação tornou-se insustentável, isolada e sem condições de manter-se na guerra acabou assinando um armistício (acordo de paz, trégua) , no dia 11 de novembro de 1918, em situação bastante desvantajosa.
 
Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições.
A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada,  perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores (33 bilhões). O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.
 
Consequências da Guerra
O conjunto de decisões impostas a Alemanha provocou sentimento de ódio, pois os alemães consideraram injustas, vingativas e humilhantes as condições do Tratado de Versalhes. E isto contribuiu para a eclosão de outro terrível conflito, a Segunda Guerra Mundial.
A guerra marcou também o surgimento de diversos novos países, como a Iugoslávia, a Hungria, Tchecoslováquia e a Polônia.
A Grande Guerra deixou 9 milhões de mortos e 40 mil feridos e mutilados; Aparecimento de regimes políticos autoritários como o nazismo e o fascismo.; Criação das Ligas das Nações em 28 de abril de 1919.


 

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