Remendar o mundo. Mas o mundo
está remendado. Mas a cola não acaba, a cola não cola.
Um quebra cabeças maiúsculo.
Imenso mundo, vasto mundo. Como remendar o mundo que não quer ser remendado?
Cada pedaço não se encontra com o
outro.
Apesar de todos esses pedaços se
encaixarem.
Apesar de todos os humanos,
pedaço a pedaço, remendo a remendo serem da mesma matéria; do mesmo pó – “ashes
to ashes”.
Cada pedaço não se encontra com o
outro porque não quer.
Apesar de tentarmos colocar todos
esses pedaços juntos. Não dá para amarra-los nem mesmo cola-los.
Como remendar o mundo? Recria-lo?
Transforma-lo em mais ruínas e reergue-lo?
As ruínas.
As ruínas. Estão por toda parte.
São esses pedaços, esses cacos que se recolhidos contarão suas histórias, as
lutas, as pressas, as perdas, os silêncios.
Como remendar o mundo?
Contar histórias de todos os
cacos juntados nas pilhas de ruínas que amontoam aos pés do progresso. E essas
histórias não cansam de ser soterradas.
“Não há documento da cultura que
não seja documento da barbárie”, afirmava Walter Benjamin.
Contar as histórias ... as
histórias que se encaixam, apesar de não quererem.
Cada pedaço se encaixa e não se
encaixa. Paradoxo?
Da mesma matéria, humana matéria,
vivemos histórias.
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