terça-feira, 9 de abril de 2013

IMPERIALISMO - ATIVIDADE DE ESTUDO


TEXTO I
    De 1760 a 1830 a Revolução Industrial ficou praticamente limitada à Inglaterra: ela era a verdadeira “oficina do mundo”. Para que essa exclusividade fosse mantida era proibido exportar máquinas e técnicas de produção industrial. Mas não seria possível conter por muito tempo os interesses dos fabricantes de equipamentos industriais, cuja produção superava as possibilidades de consumo do mercado interno. Além do mais, as nações europeias passaram a identificar o poderio de um país ao seu desenvolvimento industrial.  Disso resultou a difusão do processo de industrialização pela Europa (Bélgica, França, Itália, Alemanha, Suécia, Áustria e Rússia), Ásia (Japão) e América (Estados Unidos).
    O impacto desse avanço da industrialização foi enorme, atingindo praticamente todas as partes do mundo. A tecnologia industrial avançou, a população cresceu e intensificaram-se os movimentos migratórios.
    No final do século XIX o capitalismo industrial passou pela sua primeira Grande Depressão (1873-1896), levando ao fortalecimento das empresas pela centralização e concentração de capital. Iniciou-se aí uma nova fase do capitalismo, a fase monopolista ou financeira, que se desdobrou na exportação de capitais e no processo de colonização da África e da Ásia. [...]
    A Bélgica foi o primeiro país europeu a industrializar-se depois da Inglaterra, com a participação de capitais ingleses. A unificação política e a participação decisiva do Estado foi fator importante na rápida industrialização da Alemanha, que a partir de 1890 começava a equiparar-se à Inglaterra, superando-a mesmo em alguns setores, especialmente na indústria química. Na França houve uma lenta transformação, acelerada a partir de 1848. A falta de carvão, a estagnação demográfica e o investimento de seus capitais no exterior foram fatores que limitaram o avanço. Na Itália, o processo de industrialização, diretamente estimulado e protegido pelo Estado, acelerou-se no final do século. Havia falta de carvão, principalmente suprida com a energia enérgica. Permaneciam grandes diferenças entre o Norte (industrial) e o Sul (agrário).  A Rússia foi o último país da Europa a industrializar-se no século XIX, com intensa participação do Estado e dos capitais estrangeiros que dominavam a indústria russa. Os Estados Unidos atingiram a industrialização, acelerada após a Guerra de Secessão (1861-1865). Contavam com enormes recursos naturais e populacionais, dependendo quase exclusivamente de seu próprio mercado interno. O Japão, após a abertura de seus portos forçada pelos EUA em 1852, passou pela Revolução Meiji (luzes). As bases de certo “feudalismo” foram abolidas e o país passou por uma série de reformas com a incorporação de tecnologia ocidental; houve concentrações industriais promovidas pelo Estado e pelos militares.


     Numerosas transformações marcaram a nova fase de industrialização, identificada como Segunda Revolução Industrial. Surgiram outras formas de energia (elétrica e com uso de petróleo), muitas invenções (motor a explosão, telégrafo, corantes) e uma estreita vinculação entre ciência, desenvolvimento tecnológico e indústria. Os novos métodos de obtenção do aço aumentavam e barateavam a produção; o petróleo passou a ser explorado com vistas a produção de combustíveis para a iluminação e depois para a movimentação de motores; a indústria química passou a produzir fibras sintéticas e provocou uma revolução na produção de corantes. Os transportes passaram por uma revolução, pois a construção de ferrovias tornou-se o grande investimento, que permitiu dinamizar a produção e, ainda, alargando os mercados e as comunicações (barcos movidos a vapor). A agricultura adaptou-se às mudanças e passou a produzir, cada vez mais, para o mercado em expansão; para isso, incorporaram-se técnicas e produtos, que levaram à mecanização da produção, ao crescimento populacional e à intensificação da emigração.
    No entanto, as crises aconteceram, com momentos de expansão, recessão, contração e revitalização das atividades econômicas. Entre 1873 e 1896 a Depressão resultou da tendência dos empresários em investirem em tecnologia, pois assim pagavam menos salários. Isso provocou a diminuição do poder aquisitivo e, consequentemente, do consumo. A manutenção dos lucros altos criava um capital disponível para investimento nos mercados externos, principalmente nos países novos. O resultado foi a concentração de capitais e uma fase capitalista, denominada monopolista/financeira caracterizada pelos conglomerados (as futuras corporações), como os trustes, cartéis e holdings. [...]
    Outro resultado foi o neocolonialismo. Os interesses eram econômicos – buscavam-se matérias primas estratégicas (carvão, petróleo, ferro), alimentos que faltavam nas metrópoles, mercados consumidores para os excedentes industriais e de capital – e interesses ideológicos (superioridade europeia).
    Os países ocidentais fizeram a partilha de regiões continentais – África (Conferência de Berlim, 1884-1885) e Ásia – e organizaram as colônias de maneiras diferentes, de acordo com as necessidades metropolitanas: havia colônias com certa autonomia, outras não; protetorados e zonas de interesse.
    A política econômica das metrópoles (países ocidentais) era de espoliação: as terras dos nativos foram confiscadas; só poderiam funcionar indústrias extrativistas, mineral ou vegetal, para evitar a concorrência com a metrópole; o comércio era controlado pelos colonizadores; e a construção de ferrovias era outra maneira de obtenção de lucros.
 
[adaptado de ARRUDA, José Jobson de A. História Moderna e Contemporânea. 19ª ed., São Paulo, Ática, 1986, pp. 185, 195-196,205.]
 
 
 
TEXTO II
O termo imperialismo foi empregado para caracterizar a expansão econômica e política das potências capitalistas. Esse imperialismo constituía-se num aspecto da industrialização, numa nova situação econômica na qual os europeus disputavam matérias-primas, mercados e áreas de investimento.
    As estratégias utilizadas poderiam variar das negociações à anexação ou conquista de territórios. Da obtenção de protetorados à concessão de monopólios e controle de mercados. Contudo, o imperialismo não pode ser visto apenas como um processo de dominação econômica e política de uma nação sobre outra ou sobre uma região. Há também a imposição de valores, hábitos, influências culturais, religiosas e a imposição de idiomas estrangeiros.
    As regiões subdesenvolvidas do mundo encontravam mercados para a sua produção agrícola e adquiriam produtos europeus. A participação no mercado mundial proporcionava riqueza para alguns setores sociais, mas significava dificuldades para muitos outros, bem como a perda de costumes tradicionais. Ela significou a quase escravidão para os indígenas que extraíam látex às margens do rio Orinoco, na América do Sul, e para os africanos com a mesma atividade, às margens do rio Congo. Aumentar a produção agrícola para atender aos mercados europeus frequentemente criava novos problemas. A produção de café ou de anil em larga escala para exportação levou à redução da área dedicada ao plantio de alimentos e, com isso, à queda no abastecimento de gêneros alimentícios.
     A exploração econômica e a dominação realizada pelas potências capitalistas sobre as regiões da África, América e Ásia na passagem do século XIX para o século XX costumam ser designadas como neocolonialismo. Uma nova forma de exploração colonial vinculada ao processo de desenvolvimento industrial, diferente, portanto, do colonialismo dos séculos XV a XVIII.
 
    Embora a Inglaterra tivesse se industrializado primeiro, suas vantagens no comércio mundial estavam diminuindo a cada dia, pois outras nações começavam a competir por mercados. Os industriais ingleses defendiam os novos impérios, argumentando que a Inglaterra perderia terreno na luta pela sobrevivência e seria superada por nações, como a Alemanha ou os Estados Unidos, que já a estavam deixando para trás na produção de mercadorias essenciais, como carvão, ferro e aço.
    Competir. Vencer. Imperar. As imagens de juventude e vitalidade, de sobrevivência e decadência, de competição entre os capazes e os incapazes eram parte da linguagem do darwinismo social, permeada de alusões a etnias e conflito, à superioridade ou inferioridade dos povos.
    Muitos liberais acreditavam que a extensão do império, da lei, da ordem e da sociedade industrial elevaria os “povos atrasados” na escala da evolução. Defendiam que seu dever de cristãos era dar o exemplo e educar outros. Os missionários cristãos foram os primeiros a entrar em contato com povos estrangeiros e a adquirir conhecimentos sobre eles, e os primeiros a criar uma escrita para aqueles que não conheciam nenhuma. Em todo o século XX, eles penetraram regiões inexploradas para pregar e continuar a cruzada contra a escravidão – a que particularmente os ingleses se opunham. Missionários acreditavam que o comércio de escravos nessas regiões só terminaria quando os próprios nativos conhecessem a lei, a ordem e a estabilidade, e quando a economia mundial de mercado lhes oferecesse alternativas à antiga submissão pela guerra, pilhagem e escravidão.
 
[IN: CAMPOS, Flávio de; CLARO, Regina. A Escrita da História 2. São Paulo, Escala Educacional, 2010, pp. 204-205.]
 
 

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